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Codependência: A necessidade de proteger e o medo de ser abandonado!

Os codependentes sentem a necessidade de querer consertar e controlar a vida das pessoas que parecem não estar nenhum pouco interessadas em resolver suas dificuldades

Foto: Arquivo OBemdito

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 2 de outubro de 2019 11h20

O codependente é a pessoa que se torna viciada e dependente em cuidar de pessoas com algum tipo de problema, vícios, ou doentes psicologicamente. Rrefere-se a como a pessoa se dedica aos seus relacionamentos, sejam eles amorosos ou familiares.  Eles vivem a dor causada por amar alguém que também é dependente em algum problema (drogas, álcool, compulsão, transtornos, etc). Codependentes vivem assumindo indevidamente a responsabilidade sobre a vida do outro, recorrentemente assumem relacionamentos com pessoas "conturbadas" e podem ser vítimas até de abuso físico e/ou sexual.

Os codependentes sentem a necessidade de querer consertar e controlar a vida das pessoas que parecem não estar nenhum pouco interessadas em resolver suas dificuldades, o que acaba fazendo com que vivam com a insegurança de serem abandonados a qualquer momento. A pessoa codependente procura desesperadamente o outro para ser feliz. Tenta o tempo todo ser o centro de atenção da vida dele. Não suporta ficar sozinha. Não consegue fazer nada sem a aprovação do outro.

Ao mesmo tempo que começam a perceber seu sofrimento e desgaste em cuidar e amar um dependente químico, um alcoólatra, um mulherengo compulsivo, etc., não conseguem sair da relação tão facilmente, pois carregam o desejo inconsciente de se tornarem a salvação e a prioridade na vida do outro.

O dependente desenvolve uma ligação incontrolável com o seu objeto de desejo e o codependente estabelece uma relação incontrolável de sujeição com o outro (dependente). As próprias necessidades pessoais do indivíduo são formuladas e definidas apenas na presença do outro, esta relação é o objeto do vício. A tensão ocorre de forma permanente, devido à atitude do codependente em manter o relacionamento, na medida em que a intimidade e a cumplicidade aumentam, pois o mesmo é um integrante de uma rede na qual se envolve de maneira obsessiva aos problemas e à vida do dependente, ocasionando o desequilibro em sua vida pessoal, familiar, social e profissional. Anulando-se totalmente, para viver somente para tentar resolver a vida do outro, esperando ilusoriamente ser reconhecido e gratificado por toda sua dedicação.

Consequentemente o sentimento de medo e insegurança, juntamente com a vontadede fazer a pessoa amada enxergar os erros que vem cometendo, faz dos codependentes pessoas controladoras e exigentes. Além de freqüentemente se preocupar com pessoas que apresentam características de instabilidade, o codependente apresenta impulsividade, medo, insegurança, dificuldade em expressar sentimentos, incerteza do futuro, medo de errar, culpa, justificativa para o insucesso, necessidade de ser útil acompanhada de sofrimento, competição e disputa para sempre ter razão, ambivalência entre afeto, raiva e frustração, baixa auto-estima, ansiedade em querer mudar o outro e controlá-lo, excessiva negação, vitimização, estresse, indignação, mágoa, desespero e desvalorização.

Normalmente o codependente dá mais do que recebe e, posteriormente, se sente abusado e negligenciado, pois sua autovalorização está reduzida. Porém, como todo investimento para controlar o outro é inútil, o co-dependente sente-se impotente, arrependido e usado, pois o outro não demonstra gratidão.

No relato de uma paciente que se percebeu codependente e foi buscar ajuda, a mesma diz: "Ser codependente é estar sempre dependendo do outro para se sentir bem. É colocar as vontades dos outros em primeiro lugar e se submeter mesmo espontaneamente às vontades e caprichos do próximo"

Pesquisas científicas revelaram que a codependência é um comportamento aprendido, do qual o indivíduo precisa se livrar. Em muitos casos, isso significa romper um relacionamento patológico, o que é muito difícil para o codependente. Por isso quando você se percebe nesta condição é necessário procurar ajuda profissional de imediato, para tornar consciente todos esses comportamentos, antes que você se doe tanto a um relacionamento assim, ao ponto de adoecer e perder totalmente sua energia vital.

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(*) Andréa Sefrian (CRP08/12599) é Psicóloga Especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR, atua há 10 anos como psicóloga clínica (CLINIMED), além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas,  conciliando com o trabalho de Psicóloga do CRAS do Município de Xambrê, concursada há mais de 6 anos. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias e construindo possibilidades de esperanças.

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