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Depois da primeira mentira, até a verdade vira dúvida!

Mitomania: mentirosos compulsivos você conhece algum?

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 25 de junho de 2019 11h30

A mitomania é a compulsão pela mentira, contada de forma consciente, que tem por objetivo a autoproteção ou, muitas vezes, a distorção da realidade, de maneira a fazê-la parecer melhor. Trata-se de um processo de adoecimento psíquico, onde a pessoa que sofre vive alimentando mentiras, que geralmente elevam sua importância, as realizações dela e todo um quadro de poder.

Especialistas explicam que a mitomania é o exagero consciente da mentira. É bastante diferente da mentira social, quando, por exemplo, uma pessoa compra e coloca uma roupa nova e a outra não gostou, esta não diz que achou que a pessoa está feia, porém somente por não querer chateá-la. Mas, no caso do mitomaníaco, ele não consegue parar de mentir, tentando aparentar mais do que tem ou muitas vezes até para encobrir algo.

Quando uma pessoa passa a mentir com muita frequência, muda as versões das histórias sem perceber e não demonstra se importar com isto, é um sinal de que ela sofre de mitomania. Entretanto, se auto identificar é mais complicado, pois todo mundo mente em algum momento da vida e a pessoa não vai admitir que tem uma doença, vai sempre se justificar dizendo que “é normal, todo mundo faz.” Com isto acaba afastando as pessoas que ela busca se aproximar por ficar mentindo, e começa a ter problemas de relacionamento e convívio familiar.

As causas da mitomania podem estar relacionadas a questões de baixa autoestima, o desejo de fazer parte de um grupo, ou busca incessante por atenção. A doença se desenvolve, predominantemente, na infância ou adolescência. Geralmente, as crianças começam a contar pequenas mentiras por conta do medo ou de verem os adultos fazerem o mesmo. Assim que a família identificar o problema deve conversar com a criança e não minimizar a situação ou dizer que é uma fase passageira, pois quanto mais tarde buscarem ajuda, mais difícil de reverter o caso.

Normalmente existem dois tipos de mentirosos compulsivos: as pessoas que mentem para contar vantagem; e as pessoas que começam a acreditar na própria mentira. Nestes casos, a situação é ainda mais delicada, pois sai do nível de mitomania e passa para o chamado transtorno delirante, onde o portador mente, cria histórias e acredita naquilo que diz. O mitômano é uma pessoa que mente, sabendo que está mentindo, mas não consegue parar, é um hábito compulsivo. Ou seja, é quase como uma dependência química. O sujeito que bebe, fuma ou usa drogas faz isto sabendo das consequências, sabe que faz mal, mas não consegue parar, é um vício.

Geralmente, o mitomaníaco não age de má-fé porque o comportamento é resultado de um sofrimento, que acaba por levá-lo a um processo de quase semiconsciência. É como se a pessoa fosse se perdendo nisso. Mas as intenções também dependem do transtorno de personalidade ao qual a mitomania pode estar relacionada, transtornos psiquiátricos, como narcisismo, bipolaridade e psicopatia (na infância chamado de Transtorno de Conduta) podem agravar ainda mais o quadro da doença. Se o mitomaníaco tiver um transtorno de personalidade antissocial mais grave, como uma sociopatia, aí sim ele pode fazer mal para os outros, já que uma das características é colocar a culpa em terceiros quando é descoberto.

Sendo assim, o ideal é confrontar de forma compreensiva o mitomaníaco. Em alguns casos, quando ele admite que está mentindo, mas não consegue parar de mentir, fica mais fácil sugerir que procure ajuda. Afinal, a pessoa vira refém do comportamento de mentir, precisando fazê-lo sem limites para se sentir bem. Quando confrontado com a falsidade de suas afirmações, alguns apresentam a capacidade de reconhecer a não-veracidade delas, porém, demonstram uma tendência compulsiva a repetir a mesma mentira ou a criar uma outra pouco tempo depois. Agora, se o mitomaníaco não admite que mente, uma das formas de tentar fazer com que ele procure um tratamento é conversar com a família para ver se os mais próximos conseguem convencê-lo a buscar ajuda.

Para os especialistas, a psicoterapia é um dos tratamentos mais indicados nestes casos. No processo terapêutico, o mitomaníaco entra em contato com o desejo que não corresponde à realidade dele. Então, devagar, ele vai tomando consciência desse processo e analisando a quais experiências a compulsão pela mentira está relacionada, e nos casos mais graves, associa-se com o acompanhamento psiquiátrico através de medicamentos para compulsão.

 

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(*) Andréa Sefrian (CRP08/12599) é Psicóloga Especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR, atua há 10 anos como psicóloga clínica ( CLINIMED ), além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas,  conciliando com o trabalho de Psicóloga do CRAS do Município de Xambrê, concursada há mais de 6 anos. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias e construindo possibilidades de esperanças. 

 

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