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Colunista

E essa boca aí só beija, ou também tem Responsabilidade Afetiva?

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 12 de junho de 2019 09h15

Atualmente temos vivido em uma era de relacionamentos que anda dividida entre a necessidade de se viver um grande amor e o não saber lidar com isso quando ele aparece... de um lado a carência e a solidão, e ao mesmo tempo, vivências de relações vazias e sem vínculos.

A geração das mídias e do “aparentemente perfeito estilo de vida”, tem criado personalidades cada vez mais superficiais e vazias, focados somente naquilo que é o “mais legal” a se mostrar, não conseguindo obter relações verdadeiras. Vivem tanto tempo no mundo virtual e mantendo relações à distância que, num momento de encontro pessoal, não sabem como agir, conversar ou desenvolver profundidade nos vínculos. Vivem cada vez mais fechados em seus mundos, e para não mostrarem suas imperfeições, preferem não se comprometer, a arriscar em relações sólidas que demandam, tempo, esforço, carinho e dedicação.

Com isso, cada vez mais aparece a tão conhecida frase: “Não estou preparado para um relacionamento neste momento”. Realmente, às vezes isso acontece sim, e ninguém é obrigado a gostar de ninguém.  Quando dizemos que temos que ter responsabilidade afetiva, é sobre ser transparente e sincero com as pessoas que entram e saem da nossa vida, independente se o seu sentimento em relação a ela é bom ou ruim, se você está preparado ou não. Além de não mentir ou ficar enrolando a pessoa se já percebeu que não consegue corresponder.

Para não arriscar, algumas pessoas têm a necessidade de se manter no comodismo, oferecendo migalhas de afeto e falsas esperanças, aproveitando-se daquelas que estão mais apaixonadas ou envolvidas afetivamente. Assim as mantém ligadas a elas, para os momentos de carência e que se sentem sós. Para essas pessoas se torna mais fácil fingir estarem envolvidas, esperando até que talvez nasça um sentimento disso. Não se colocando no lugar do outro, e assim ferindo e atrapalhando a vida de pessoas emocionalmente dispostas.

Porém essas pessoas não imaginam o estrago que acabam causando na autoestima e na vida daquelas que desejam tentar uma relação. Por elas estarem dispostas, acabam se alimentando de esperas que parecem nunca ter fim, onde em algum momento acabam se deparando com pensamentos de insuficiência ou de inferioridade. Ao constatarem que o relacionamento de verdade nunca se concretiza, se culpam e acreditam ser incapazes de conquistar ou ter o amor de alguém.

O surgimento desses sentimentos acaba destruindo a saúde mental de pessoas frágeis emocionalmente. Com este ciclo intermitente de migalhas afetivas, as pessoas entram em uma dependência, esperando receber atenção e carinho novamente. Quando começam a perceber que não são correspondidas, são tomadas por uma decepção profunda e dolorosa consigo mesmas e também com o outro.  Chegam a perder o sentido da vida, pensando até em desistir de tudo. Por essa razão é preciso cautela ao entrar na vida do outro. As pessoas não têm noção do prejuízo emocional que podem causar umas nas outras.

É necessário deixar clara as nossas intenções. Fale, grite, desenhe, se preciso for. Deixe nítido para a outra pessoa, como você se sente. Se está pronto para tentar algo mais sério. Se está procurando apenas curtição. Se aquilo não vai passar de uns beijos e boa noite. Se existe a possibilidade da outra pessoa se tornar alguém especial na sua vida. Não seja a pessoa que vai trazer sentimentos ruins para outro. Não seja aquele de quem alguém vai lembrar e sentir rancor. Não seja o motivo do coração partido de alguém. Tenha responsabilidade por aquilo que cativa nos outros. Tenha responsabilidade afetiva.

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(*) Andréa Sefrian (CRP08/12599) é Psicóloga Especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR, atua há 10 anos como psicóloga clínica ( CLINIMED ), além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas,  conciliando com o trabalho de Psicóloga do CRAS do Município de Xambrê, concursada há mais de 6 anos. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias e construindo possibilidades de esperanças. 

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