UmuaramaSol com algumas nuvens. Não chove.16º28º
|

Colunista

Somos uma geração de fotos sorridentes e travesseiros encharcados

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 20 de março de 2019 19h19

Se pararmos para pensar, convivemos com muitas pessoas que escondem suas dores atrás de um falso sorriso e, de repente, quando ouvimos falar em suicídio, não entendemos o que levou aquela pessoa a cometer tal ato.

Normalmente as pessoas sob esse risco costumam falar sobre morte, suicídio, vontade de sumir, mais do que o comum. Confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com visão negativa sobre si, sua vida e futuro. Quando começam pensar em morrer, na verdade a busca não é por acabar com a vida, mas sim acabar com a dor que sentem dentro de si. Muitos suicídios são realizados por impulso em pessoas que se encontram em grandes colapsos como crise financeira, amorosa, doença ou situações de perda, situações de violência ou discriminação racial e sexual, além daqueles induzidos pela distorção da realidade pelo uso do álcool e outras drogas.

Na maioria das vezes, essas pessoas possuem baixo nível de tolerância à frustração, vivenciam fortes decepções com o outro e consigo mesmas, carregam culpas, falta de esperança, baixa autoestima, e acabam se fechando na sua tristeza e solidão, fingindo estar tudo bem, por medo de expor suas fragilidades e ser julgado pela sociedade “de aparências”, que só divulga excelência e perfeição, principalmente nas redes sociais. O ser humano entra nesse vício de exibicionismo, pois é carente de amor, de toque, de presenças e atenção, como não encontra isso no dia a dia, tenta conseguir de forma virtual os “likes” que a realidade não lhe dá.

Temos ajudado a construir uma geração despreparada para o mundo real à medida que autorizamos o fascínio por vidas editadas, em que as frustrações, tristezas e dificuldades ficam do lado de fora, criando uma fantasia de que ter problemas e contrariedades não é normal. É preciso que sejamos mais verdadeiros com aquilo que somos, e com o que o outro é. Precisamos aceitar e aprender a lidar com as imperfeições, tanto minhas quanto dos demais. O erro, as falhas e as fragilidades fazem parte da natureza do ser humano. E não estou dizendo que devemos apoiar o erro e a falha, mas sim dar mais atenção e oferecer ajuda às pessoas ao nosso redor, possibilitando conversas e espaços de compreensão e incentivo à melhora.

Diminuiremos esse índice, quando começarmos a exaltar mais os pontos positivos das pessoas e criticar menos, a ajudá-las a perceber e desenvolver mais suas capacidades e potenciais, do que viver enfatizando os pontos negativos. Pois uma das necessidades básicas do ser humano, assim como comer, beber e ir ao banheiro, é também sentir-se reconhecido, pois o ser humano que se sente aceito, amado, compreendido apesar de suas imperfeições e reconhecido naquilo que tem de bom, jamais pensará em atentar contra a própria vida.

Vamos ser cuidadosos! Não vamos colecionar expectativas e nem promover comparações e exigências sobre-humanas a respeito da felicidade. Perderíamos bem menos pessoas se mudássemos nosso olhar, não afastando de nós aqueles que não esbanjam perfeição. 

__________________________________________________________________________________________

(*) Andréa Sefrian (CRP08/12599) é Psicóloga Especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR, atua há 10 anos como psicóloga clínica ( CLINIMED ), além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas,  conciliando com o trabalho de Psicóloga do CRAS do Município de Xambrê, concursada há mais de 6 anos. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias e construindo possibilidades de esperanças. 

Comente

Leia também

União
SENAC

Mais lidas

CELIO MOBILE
TAKEJIMA
VIVIAN 1
VIVIAN 2