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Esporte

Garoto com down encontra no judô uma forma de socialização em Umuarama

Além de promover benefícios físicos e mentais, o judô inclusivo está fazendo o menino ser mais disciplinado e autoconfiante, fazendo-o apreciar o esporte cada vez mais; conheça a história

Foto: Danilo Martins/OBemdito

REDAÇÃO O Bemdito 15 de dezembro de 2019 11h24

Um adolescente de 14 anos vem ganhando novas perspectivas de vida com a prática do judô inclusivo, proporcionada por uma academia de lutas de Umuarama. João Vitor Alves Santana possui síndrome de down e há um mês começou a praticar o esporte que, além de lhe proporcionar um melhor desempenho físico, também está ajudando o menino a se socializar e a obter alguns valores importantes para a vida.

João Vitor tenta ir em todos os treinos na academia do professor Juan Jimenez e, conforme a mãe, Regiane Alves, o comportamento dele melhorou bastante. O adolescente começou a praticar o judô após a orientação de uma professora da Apae, escola em que ele frequenta. A docente via no menino um forte potencial para o esporte, mas sabia que João precisava treinar a disciplina, por isso indicou a prática do judô. A mãe não relutou e acatou a ideia.

 “O meu filho gosta muito de vir no judô. Ele fala bem do esporte, se deixar ele quer vir todos os dias. Assim que a professora falou eu já fui atrás, porque quero o melhor para o meu filho. Acredito e faço ele acreditar que pode conseguir os sonhos dele, apesar das limitações”, diz a mãe de João Vitor.

De acordo com Regiane, a luta está fazendo o filho a ser mais disciplinado e também a interagir melhor com os colegas. E treinar a disciplina nos alunos não é um desafio fácil para o professor Juan Jimenez. Ele sabe que precisa ser educado, paciente e duro ao mesmo tempo para que os judocas tenham resultado. Com João Vitor não é diferente e ele tenta tratar o aluno da mesma forma que os demais, dando um pouco mais de atenção para que o menino não se machuque.

“Eu prezo pela igualdade, mas por ele ser uma criança especial tenho o cuidado para que o impacto das atividades não prejudique o João Vitor”, ressalta Juan.

João treina com outras crianças nas terças e quintas-feiras. A atividade também está sendo benéfica para a integração com outros colegas. Como eles treinam todos juntos, João Vitor tem a oportunidade de conviver com pessoas diferentes e os colegas de judô também. Ali, conforme Juan, eles aprendem que todos merecem ser tratados com respeito, sem preconceito.

“Levanta, vamos!”

“João, levanta, vamos!” “Você vai ficar no chão?” “Apoia com a mão!”, esses são alguns dos conselhos que Juan dá ao menino durante o treino. E não só com ele, todos os alunos recebem orientações que não costumam ser brandas. “Meu objetivo aqui é treinar eles para a vida. Claro que quero que eles vençam competições, mas em categorias iniciais, eu quero mostrar que eles precisam lutar e não desistir para conquistar alguma coisa. Então não posso passar a mão na cabeça de ninguém”, ressalta Juan.

O tratamento que o menino está tendo na academia está melhorando o desempenho dele em várias questões, segundo a mãe, deixando-o mais disciplinado, obediente e amigo das outras crianças. Para que os treinamentos pudessem ser bem aproveitados, Juan conversou com todas as crianças no primeiro treino de João e explicou para todos os judocas as condições do adolescente e a necessidade do respeito para com todos.

Desde então, o professor não tem problemas de convivência nos treinamentos e nem comportamental com relação a João. “Ele é ativo, corre, pula e se mostra disposto a aprender os movimentos”, alega Juan.

Essa é a primeira vez que o profissional formado em Educação Física ministra aulas para uma criança com síndrome de down. Para ele, a experiência está sendo um desafio, mas a crença na inclusão e no potencial de cada aluno faz o professor se dedicar e confiar que a vivência pode ser gratificante. “Eu tive experiência com aulas inclusivas durante a faculdade, mas como professor é a primeira vez que recebo um aluno com síndrome de down. Tenho que estudar sempre para fazer um bom trabalho, mas me sinto feliz de realizar esse serviço porque quero provar que todos têm a capacidade de praticar o judô”, destaca o lutador, que também atende alunos que possuem o transtorno do espectro autista.


Treinamento para a vida

Para João, que possui atraso no desenvolvimento, o judô está sendo um importante aliado na busca pelo aperfeiçoamento de suas habilidades. O esporte é capaz de auxiliar na cognição, em uma melhor coordenação motora, além de ser uma forma de praticar exercícios físicos. “Os ensinamentos do esporte são levados para a vida toda. E com o judô se aprende a ter autoconfiança, responsabilidade e respeito para com todos. Por isso a importância da inclusão, não é só recreação, é preparo para a vida, para se tornar uma pessoa melhor”, acrescenta Juan.

No fim de mais um dia de treino, João estava bravo com alguns golpes que levou, mas questionado se gosta da luta, ele esbanjou um sorriso no rosto e disse que sim. Com o apoio do professor, ele retornou ao tatame, aprendendo a importância de saber perder, sem deixar de almejar e lutar pela vitória. No caso do adolescente, o passo dado para a busca de algo que ele gosta já é um degrau conquistado. A experiência dele faz perceber que no jogo da vida, todos podem aprender a lutar, mesmo em meio aos tombos e às dificuldades.






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