UmuaramaSol com algumas nuvens. Não chove.11º22º
|

Umuarama

ABUSO SEXUAL INFANTIL

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 6 de fevereiro de 2019 17h22

O abuso sexual contra crianças e adolescentes tem sido considerado um grave problema de saúde pública, devido aos altos índices de incidência e às sérias conseqüências para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social da vítima e de sua família.

Esta forma de volência é baseada numa relação de poder do adulto (ou mais velho) sobre a criança ou adolescente, ou pode ocorrer mesmo a partir de uma relação de autoridade em que o mais velho abusa da situação de dependência afetiva ou econômica da criança ou adolescente.

Há quem acredite que o que leva um pai a estuprar a filha, um marido a violentar sua mulher, um ser a abusar de outro é alguma doença. Porém a constatação triste é de que, em boa parte dos casos, a motivação passa longe disso. Estudos mostram que a maioria dos agressores foram vítimas de violência na infância.

A situação de abuso sexual é entendida como trauma do ponto de vista da psicanálise. O trauma é uma situação excessiva, vivida pelo sujeito, que, no momento, é incapaz de dar vazão a tal carga energética, provocando efeitos patológicos duradouros na organização psíquica, anulando totalmente o princípio de prazer e ultrapassando as defesas do aparelho psíquico, aparecendo assim a incapacidade de dar conta da situação e de compreendê-la, tornando-se uma vivência de terror e por muitas vezes com desejo de morte.

Observa-se também que pelo fato de que há curiosidades e desejos infantis em torno da construção da sexualidade, a criança acaba sentindo culpa, o que acompanha a situação traumática, pois fica confuso para a vítima compreender o quanto ela é realmente vítima ou, em função de seus desejos, fez acontecer/desencadear o ato e suas repetições. Os ganhos (presentes, afagos e pactos) que acompanham a situação corroboram esses sentimentos, criando uma distorção e uma confusão de sentimentos.

Em função da vivência do abuso, a criança pode manifestar comportamentos inadaptados, tal como uma exacerbação da sexualidade. Esse comportamento gera, muitas vezes, uma conduta de punição por parte dos pais. No entanto, punir sem tentar compreender o que está subentendido em um comportamento desse tipo é desconhecer o mal-estar de uma criança que tenta, passando de uma posição passiva a uma posição ativa, elaborar o trauma que sofreu.

A criança aparece duplamente como vítima: dos abusos sexuais e da incredulidade dos adultos. Tal aspecto pode ser observado ainda hoje, quando muitas crianças são levadas pela própria família a negar o discurso já feito diante da autoridade judicial, muitas vezes, pela pressão do rompimento dos vínculos e mesmo por razões econômicas que implicam o afastamento do autor da família, sendo ele o provedor.

Faz-se então necessário esclarecer para as famílias, a importância de manter uma comunicação livre e aberta com os filhos, encorajando-os a falar sobre suas conquistas e dificuldades, fortalecendo os vínculos familiares. Além disso, torna-se necessário construir um espaço de discussão com as famílias, para que os obstáculos relacionados ao diálogo sobre sexualidade possam ser transpostos e as dificuldades superadas, gerando um sentimento de confiança e proteção.

 É fundamental trabalhar as marcas que ficam para resto da vida, única possibilidade de ressignificar essa experiência dolorosa e desamparadora que é a situação de abuso sexual.

(*) Andréa Sefrian (CRP08/12599) é Psicóloga Especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR, atua há 10 anos como psicóloga clínica ( CLINIMED ), além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas,  conciliando com o trabalho de Psicóloga do CRAS do Município de Xambrê, concursada há mais de 6 anos. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias e construindo possibilidades de esperanças. 

Comente

Leia também

PLATA
CABINE
ICE_BANANA
ponto mais

Mais lidas

CELIO MOBILE
TAKEJIMA
CARRETÃO - Qualidade Dose Dupla
PLANALTO