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Depois de 1 ano, bebê deixa UTI por alguns minutos para festa de aniversário

Parte da equipe na inspeção final para que Daniel deixe, por alguns minutos, a UTI neonatal do Hospital Cemil
Parte da equipe na inspeção final para que Daniel deixe, por alguns minutos, a UTI neonatal do Hospital Cemil
Foto: Danilo Martins/OBemdito

O Bemdito 11 de fevereiro de 2019 22h22

Trezentos e sessenta e cinco dias internado na UTI neonatal com ventilação mecânica ininterrupta não é para qualquer um. Tem que ser um super heroi. É assim que o pequeno Daniel William Silva de Oliveira é visto no Hospital Cemil, em Umuarama.

O menino comemorou no sábado (9) seu primeiro ano de vida e como presente de aniversário ganhou uma festa com direito a docinhos, palhaços cantores e muitos convidados. Foi a primeira vez que Daniel circulou por mais de meia hora pelos corredores do hospital e pode tomar banho de sol, na rampa da recepção.

Para dar esse presente ao 'super homem' foi necessária uma operação minuciosa, que mobilizou um grande aparato de profissionais, por pelo menos 20 dias. Cada movimento fora da UTI teve que ser calculado por médicos, enfermeiros, técnicos e fisioterapeuta. Houve a necessidade de adaptação de uma cadeira infantil e o uso de um ventilador mecânico não convencional, ligado a um cilindro de oxigênio. 

Era 14h20 quando Daniel passava pela porta da UTI. Alguns metros a mais e já estava no playground, preparado especialmente para ele, com o apoio de voluntários. De repente a equipe de palhaços começa a cantar e então surge o 'parabéns para você'. Tudo não poderia estar mais perfeito. Então as lágrimas de alegria começam a surgir. 

Os pacientes da ala infantil sem restrição de dieta receberam os convites e marcaram presença. Ninguém tirava os olhos do aniversariante. Horas antes ele recebeu a visita de um cabeleireiro e se comportou muito bem. Nada de manha.  

Mãe e avó cuidam do pequeno, que está há um ano internado no hospital

Família

A família veio em peso de Tuneiras do Oeste, a 50 quilômetros de Umuarama. A maioria ainda não tivera contato pessoalmente com o bebê. Tios e primos puderam, enfim, fazer um carinho, por mais discreto que fosse. Também foi o dia em que a mãe e a avó, as Marias, ficaram mais tempo com o aniversariante no colo. Elas vão a UTI três vezes por semana e permanecem meia hora em cada visita. 

Maria Aparecida da Silva, 25 anos, a mãe, deu à luz o menino em Cianorte. Ele nasceu prematuro, de 8 meses, e logo depois precisou ser transferido, em situação de extrema emergência, para Umuarama, a pedido da Central de Leitos. Foi constatado um quadro de anóxia neonatal, quando há a diminuição ou ausência de oxigênio no cérebro. Os sistemas nervoso e respiratório foram afetados.

Por causa da complicação, Daniel desenvolveu uma lesão neurológica grave. Não é possível dizer, conforme os médicos, se ele vai falar ou até mesmo andar. Novos exames vão detectar se ele consegue enxergar. Mesmo com tanto cuidado, o menino já passou por várias situações de risco, que desafiaram a equipe, chefiada pela médica Gabriela Frederico. 

“O que eu posso dizer é que o Daniel é uma criança forte, que enfrenta os desafios. Cada dia é uma vitória para ele e para nós”, disse. 

Recorde 

Em toda a história de 40 anos do Cemil, Daniel é o paciente que permanece mais tempo, ininterrupto, no hospital. Isso fez, conforme o superintendente João Jorge Hellu, com que toda a equipe criasse um sentimento de amor incondicional. “Todo mundo aqui conhece o Dani. Ele tem um exército de tios e tias que o trazem no coração. É realmente algo muito lindo”, afirmou o médico. 

Segundo o Hellu, apesar dos altos custos de UTI (avaliados em R$ 100 mil mensais), em nenhum momento a equipe médica pensou em dar alta ao pequeno paciente por entender que dificilmente ele sobreviveria fora do tratamento intensivo. “Não podemos afirmar o futuro na medicina. Existe um custo, sim, mas o valor é infinito”.

Para a médica Gabriela Frederico, é preciso ter segurança de que a família tenha condições de manter o tratamento, que requer dedicação integral, dia e noite. Seria necessário montar uma espécie de UTI na casa do menino, o que nos dias de hoje é praticamente impossível.

Mãe, avó e tios de Daniel, num total de seis pessoas, vivem em casa pequena, e a renda mensal deles não chega a R$ 1.500, conforme disseram. Todos trabalham na roça e sempre precisam de ajuda. “O que eu mais quero é levar meu filho, mas eu sei que não posso. Sei que aqui o Daniel está nas mãos de anjos”, disse Maria.


Campanha

Anjos que, para poder fazer mais, se uniram em associação pró-Daniel, e é formada pelos profissionais: Rodrigo (técnico de enfermagem), Mayara Piassa (gerente enfermagem), Camila (instrumentadora), Mayara Guerini (fisioterapeuta), Fabrícia (assistente social), Rosileia (terapêuta ocupacional) e Gabriela Frederico (médica).

A equipe do Cemil se mobiliza agora para viabilizar novos equipamentos para o menino, para que tenha maior conforto. O ventilador mecânico e a cadeira especial custam cerca de R$ 40 mil. Uma campanha deve ser iniciada nos próximos dias. E você poderá ajudar para que o Daniel possa, mais vezes, sentir o calor do sol.


 

 

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