Maxwel encara os desafios da aula de luta e não se intimida diante dos 'adversários'  Foto: Bruno Alex
Maxwel encara os desafios da aula de luta e não se intimida diante dos 'adversários' Foto: Bruno Alex

Garoto que teve mão amputada se destaca em treinamentos de jiu jitsu

O pequeno Éder Maxwel Maurinho de Lima, de 7 anos, é uma daquelas crianças cativantes, sorridentes e que tenta acima de tudo levar uma vida extremamente normal, apesar de não ter a mão direita. O membro foi amputado por uma explosão, de um artefato que ele encontrou na rua, levou para dentro de casa e acendeu. O fato aconteceu na Copa do Mundo de 2014.

Maxwel já foi tema de duas reportagens do site OBemdito. Na primeira, em abril de 2016, contamos um pouco da história do menino e a busca da família por uma prótese. Em dezembro do mesmo ano veio a boa notícia: ele ganhou uma prótese confeccionada por acadêmicos do curso de engenharia mecânica da Unipar.

E agora ele merece novamente os holofotes. Maxwel mais uma vez mostra que a superação faz parte de sua rotina e iniciou treinamentos em jiu jitsu. E com destaque.

Quem ‘carregou’ o menino para o treinamento foi sua amiga inseparável Isa. Ela já integrava o grupo que treina no projeto Anjos do Tatame, da Associação Vida e Solidariedade, no parque Industrial. Maxwel foi, gostou e em pouco mais de dois meses de aprendizado já está ‘finalizando’ os coleguinhas. E o pequeno lutador tem até medalha em casa, um bronze conquistado na Copa Amizade, em Umuarama.

Ele conta que gosta do treino por se parecer com uma brincadeira. “Eu faço flexão, os golpes e já aprendi até a fazer ‘mata leão’. Tenho até medalha já. Minha mãe ficou muito orgulhosa”, conta, super empolgado.

Jaqueline de Oiveira Mourinho é a mãe orgulhosa, que incentiva o filho. Ela comenta que na época que ele perdeu a mão tudo ficou bastante complicado, mas que hoje Maxwel já está bem adaptado e faz de tudo. “A Isa, que é uma amiga irmã dele, foi quem convidou para o treino e deu muito certo. Já ganhou até uma medalha, que está lá em casa”, diz. Jaqueline tem mais duas filhas, Ágata de apenas um mês de idade e Emily Maisa, de 3 anos.

No treinamento não há diferenciação entre os pequenos atletas

Sem diferenças

No treinamento o professor Tomeya Sasahara não faz distinção entre os alunos. No caso de Maxwel, apenas alguns golpes foram adaptados. “Ele participa do treino, aquecimento, aprende técnicas de luta, tudo igual aos outros. Já aproveito para conscientizar os colegas, pois sei que em outros locais ele sofre bullying. Então ensino eles a não serem assim e ajudarem o Maxwel em determinadas situações”, explica Tomeya.

O desenvolvimento do novo aluno tem surpreendido o treinador. “Ele tem potencial. Quem sabe no futuro teremos um atleta paraolímpico medalhista?”, planeja Tomeya.

No que depender de Maxwel, os treinamentos não vão parar por aqui. Ele sente tanto orgulho do professor, que confessou durante a entrevista que pretende se tornar treinador de artes marciais. “Quero ser igual meu professor. Ele é muito legal”.

Maxwel e o professor de artes marciais Tomeya Sasahara

Anjos do Tatame

O projeto Anjos do Tatame atende crianças do parque Industrial e bairros vizinhos. Os treinamentos acontecem em contra turno escolar. Atualmente 35 alunos integram a atividade.

A Associação Vida e Solidariedade atende 78 crianças e adolescentes, com atividades variadas.

Do Anjos do Tatame já saíram campeões. Diego Siqueira e Raiane Silva são dois destaques do projeto e já conquistaram até título internacional. Os dois, junto com Lorena Souza, têm vaga assegurada em julho no campeonato mundial. O torneio acontecerá no Ibirapuera, em São Paulo.

Mais uma vez os atletas precisam de apoio da comunidade para participar. Interessados em ajudar com patrocínios podem entrar em contato através do telefone (44) 3639-3688.

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