A equipe tem se reunido para realizar a limpeza do terrano onde será implantada a horta comunitária  Foto: Ronaldo José Moreira
A equipe tem se reunido para realizar a limpeza do terrano onde será implantada a horta comunitária Foto: Ronaldo José Moreira

Horta comunitária será implantada para ajudar 20 famílias de haitianos em Umuarama

Está em fase de implantação um projeto inovador, que visa ajudar 20 famílias de haitianos que residem em Umuarama e estão enfrentando dificuldades. A horta comunitária envolve várias entidades, entre elas a UEM, através do projeto de hortas urbanas da Incubadora de Empreendimentos Econômicos Solidários (IEES), IFPR e a Cáritas, da Diocese de Umuarama.

A horta comunitária será feita em um terreno localizado no bairro Jardim Itália, em área que será cedida pela Prefeitura. A cessão do terreno acontecerá através da Cáritas, pelo prazo de 10 anos. A documentação está em fase de regularização, mas a equipe composta por alunos do Colégio Agrícola, do IFPR, da UEM e haitianos já está viabilizando a limpeza do espaço.

Apesar da comunidade de haitianos na cidade ser bem maior, inicialmente apenas 20 famílias foram selecionadas para participar do projeto. Eles foram escolhidos seguindo critérios da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, do Parque Danielli, que trabalha diretamente com este público.

No projeto serão atendidas 20 famílias de haitianos que residem em Umuarama

De acordo com a presidente da Cáritas em Umuarama, Maria Alves Benevenuto, a Dedê, atualmente cerca de 150 haitianos residem na Capital da Amizade, mas há alguns anos a população destes estrangeiros chegou a ultrapassar 800 pessoas. “O desemprego e a fome levaram muitos deles a seguirem para outras cidades. Os haitianos que ficaram aqui enfrentaram muitas dificuldades. Agora que eles começaram a conseguir empregos”, diz Dedê.

A proposta é de que estas 20 famílias selecionadas atuem diretamente na horta. Eles receberão apoio técnico da Incubadora da UEM para trabalhar no local, desde o plantio até a comercialização dos produtos. “A intenção é gerar emprego e renda para estas famílias”, informa a presidente da Cáritas.

Maria Benevenuto: "Os haitianos que ficaram aqui enfrentaram muitas dificuldades"

Orientação técnica

De acordo com o professor da UEM e coordenador da IEES, Max Rickli, a incubadora atuará com a orientação técnica para manejo do solo e das plantas, manejo agroecológico e capacitação técnica para os haitianos e para toda equipe envolvida, dentro dos princípios da agroecologia e da economia solidária. Rickli explica que a intenção é fazer o cultivo sem nenhum tipo de agrotóxico e, se possível, sem adubos químicos.

Serão envolvidos acadêmicos dos cursos de Agronomia, Engenharia Civil, Ambiental e de Alimentos e, em alguns momentos, de Medicina Veterinária. “Já temos experiências com hortas agroecológicas e seremos parceiros por ser um projeto de geração de emprego e renda, o que é fundamental para apoiar os haitianos”, diz o professor.

Max Rickli: “Já temos experiências com hortas agroecológicas e seremos parceiros por ser um projeto de geração de emprego e renda"

Início do trabalho

Além da limpeza do terreno, em andamento, já foram iniciados os treinamentos aos haitianos no auditório do IFPR e no próprio local onde será implantada a horta. As orientações acontecem em quatro bases: agroecologia, economia solidária, cooperativismo e associativismo, além do empoderamento.                    

Ronaldo José Moreira trabalha diretamente com os envolvidos no projeto. Ele é ativista social, mestre artesão e professor de artesanatos, atualmente atua na incubadora, no projeto Faísca e na Cáritas, na coordenação de projeto Hortas Urbanas Comunitárias de base agroecológica.

Moreira explica que está sendo construído um plano de negócios, conjuntamente com os haitianos, que seja ecologicamente correto, socialmente justo e economicamente viável, que são os três eixos da sustentabilidade.

Estudantes do Colégio Agrícola, IFPR e UEM estão auxiliando na limpeza do terreno

A intenção é orientar os envolvidos para que depois eles consigam tocar o negócio por conta própria. “A incubadora e o IFPR garantirão um período de pré-incubação, incubação e desincubação. Ao todo serão dois anos de investimento nos processos de formação e assessoria técnica. A contrapartida da UEM e do IFPR será dada em forma de infraestrutura e conhecimentos e o curso de Psicologia da Unipar vai se envolver no processo de empoderamento, visando a formação de uma associação cultural”, conta.

Moreira diz que a chuva tem atrasado um pouco a limpeza do terreno, pois as máquinas da Prefeitura precisam trabalhar com solo seco. Após a viabilização da limpeza e a assinatura do comodato, terá início efetivamente o plantio. “Toda a produção será para garantir a segurança alimentar destas 20 famílias de haitianos e o excedente será comercializado por eles, sem intermediários”, informa.

O coordenador adianta que na horta serão produzidas diversas culturas. Por se tratar de uma área de manancial, com terreno muito fértil, a expectativa é de boa produção.

Ronaldo Moreira: “Toda a produção será para garantir a segurança alimentar destas 20 famílias de haitianos".

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