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Músicos de Umuarama falam sobre o processo criativo da composição

No Dia do Compositor, OBemdito falou com Duda Victor e José Duarte, da banda Terremotor

Na banda Terremotor boa parte das composições de novas músicas acontece em conjunto
Na banda Terremotor boa parte das composições de novas músicas acontece em conjunto

JAQUELINE MOCELLIN O Bemdito 15 de janeiro de 2020 20h01

Nesta quarta-feira (15) é comemorado mundialmente o Dia do Compositor. Neste dia, no ano de 1945, compositores participaram de um dia especial no México. Posteriormente a data foi escolhida pela Sociedade de Autores e Compositores do México como o dia oficial deste profissional no país e, em 1983, se tornou o Dia Mundial do Compositor. No Brasil também há comemoração em 7 de outubro, quando é celebrado o Dia do Compositor Brasileiro.

Umuarama tem se mostrado um cenário fértil neste sentido. A banda de surf music Terremotor, por exemplo, tem seu repertório composto essencialmente por músicas autorais, feitas pelos próprios integrantes – o guitarrista Duda Victor, o baixista José Duarte e o baterista Paulo Tropa.

Duda conta que o processo criativo foi mudando com o passar do tempo. “No começo eu trazia as ideias e o Zé e o Paulo colocavam os complementos. Agora já mudamos muito isso e estamos compondo como banda, em conjunto”, diz. Duarte comenta que geralmente as composições acontecem durante os ensaios, que acontecem semanalmente. “Existem basicamente dois jeitos das composições acontecerem. Quando a gente não tem nada previsto para compor e estamos ali, animados. No aquecimento do ensaio sai algum riff ou algo interessante e depois isso acaba virando uma música. Porém, Na maioria das vezes quando temos prazo ou inventamos de fazer um disco, falamos: agora a gente tem que compor. Tem dia que não sai nada, em outros sai material bom”.

O Terremotor já possui três álbuns gravados e está finalizando o quarto trabalho. No primeiro CD são 8 músicas autorais. Em um compacto são mais 4 canções autorais, sendo uma feita no começo dos anos 2000 através de uma parceria entre Duda e o músico Marcelo, da banda Búfalos D'Água. No CD ao vivo o grupo optou por gravar versões e no novo trabalho, das 11 músicas, 10 são compostas pelos integrantes da banda.

Duda Victor (esquerda), Paulo Tropa (centro) e José Duarte (direita)       (Foto: Thiago Casoni)

Início

Duda recorda que compõe desde quando começou a fazer música – sua primeira banda foi a Incógnito, em 1985, em Umuarama. Ele conta que sempre trabalhou com músicas autorais nas bandas que integrou, como a Búfalos D'Água, de Londrina, e a Dirt Fuse, na Grécia.

Duarte começou a compor mais recentemente, muito por influência de Duda. “Nunca tinha me imaginado compondo. A primeira vez foi porque ele [Duda] me influenciou. A primeira música autoral do Nega Jurema foi com participação do Augusto Silva, eu fiz uma melodia e musiquei uma letra do Augusto. Desde esta vez eu me via fazendo música autoral. Depois o Duda vinha com a melodia e eu e o Paulo inseríamos os outros instrumentos, mas hoje eu me vejo compondo”, explica.

O guitarrista do grupo ressalta que o processo criativo normalmente começa com uma pessoa fazendo a composição e depois a banda faz o arranjo. No entanto, no caso do Terremotor, isso já não é regra. Boa parte das novas criações nasce de alguns improvisos ou ideias nos ensaios e depois os três vão moldando e aprimorando até que se torne realmente uma música.

Terremotor em ação, em um show em Belo Horizonte         (Foto: Gláucia França)

Influências

Nos últimos meses, além do Terremotor que esteve em estúdio para gravar um trabalho composto essencialmente (ou totalmente) por canções autorais, outras bandas de Umuarama seguiram o mesmo rumo. Dois exemplos são a Emergencial e Os Monotônicos.

Duarte acredita que nos dois casos haja certa influência do Terremotor e de Duda “para ter essa coragem e meter a cara para fazer composições autorais”. Duda recorda que inclusive auxiliou a banda Emergencial na pré-produção de seu primeiro disco.

“Este objetivo de incentivar os músicos a comporem eu tinha desde que voltei a Umuarama e comecei a sair na noite, nos bares. Encontrava o pessoal e sempre comentava: faz um som próprio. Cover ou versão é legal, mas faz uma coisa sua, música própria. E acredito que agora está começando a aparecer o resultado”, comenta Duda. Duarte acrescenta que “Umuarama tem solo fértil para isso, tem Nevilton, Thiago Juliani, entre tantos outros. O grande lance de tudo é ter alguém como exemplo. Quando uma banda local começa, incita outros a fazerem também e gravar um disco com músicas próprias é eternizar sua obra, o que você fez naquela época”.

Duda completa afirmando que “Umuarama é uma fábrica de bons músicos. As bandas que fazem o som cover são legais. Só que você toca lá e passa. Quando você grava um disco, com música autoral, isso fica. Não é pelo retorno financeiro, o que é muito difícil, nem ser reconhecido, ganhar grana. Isso não tem nem que se criar uma expectativa. O fato é que fazer um trabalho próprio é como ter um filho”.

Trabalhos da banda Terremotor. Em breve o grupo lança seu novo CD     (Foto: acervo Terremotor)

Entidade Perdida

Além da banda Terremotor, Duda também integra o grupo Entidade Perdida, junto com Augusto Silva e Kaio Miotti. Eles trabalham apenas com canções autorais. “Meu trabalho com música própria começou com o Augusto no final dos anos 1980. A gente tem essa parceria desde lá. O Augusto escreve demais e a gente fazia essa parceria. Quando fui morar em Londrina continuamos fazendo músicas juntos. Inclusive tem músicas com letra do Augusto em bandas de Londrina que eu participei”, diz Duda.

As letras de Augusto também foram musicadas em outro projeto, a banda Triângulo das Bermúsicas, que se apresentou no Festival Paraíso do Rock, na cidade de Paraíso do Norte, em meados de 2019.

Amor pela música

Duarte afirma que “hoje é muito bom ver a galera produzindo, compondo, gravando. Pra gente é fantástico saber que de certa forma influenciamos estes músicos a compor, a criar ou a mostrar o que já haviam feito”.

Para os dois, há muitas pessoas que poderiam se tornar compositoras, mas estão com este dom adormecido. “Se for por amor vale a pena fazer, vale a pena tentar”, finaliza Duarte.

 

 

 

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