'Miltão' encara as manhãs geladas só de camisa lavando carros o dia inteiro  Foto: Bruno Alex
'Miltão' encara as manhãs geladas só de camisa lavando carros o dia inteiro Foto: Bruno Alex

Neste frio encontramos quem trabalha na água gelada e não reclama

O frio e a água gelada parecem não assustar Milton Estevanini, de 55 anos. Logo cedo ele pega no batente lavando carros até à noite. “Não importa se está frio, ou não, nem sinto a diferença”, revela.

Enquanto nossa equipe usava blusões num frio de 10 graus, ‘Miltão’, como é mais conhecido, vestia apenas uma calça jeans e uma camisa tipo gola polo.

Durante a entrevista a OBemdito, ele lavava uma Van e não demostrava que estava sentindo frio.

No espaço concedido pelo posto de combustíveis situado no entorno da Praça Mascarenhas de Moraes, onde agora é a biblioteca e o anfiteatro da Unipar, ‘Miltão’ disse se sentir em casa. Apesar de estar instalado ali há apenas 4 meses, trabalha dia a dia acompanhado da esposa de 40 anos, que também ‘mete a mão na água fria’.

O lavador de carros ainda brinca: “Quando cheguei hoje (quinta-feira), de manhã, vizinhos até tiraram sarro. Enquanto todos estavam ‘encapotados’ de blusas, eu cheguei do mesmo jeito que estou agora, só de calça e camisa. Já chegamos a lavar aqui mais de 20 carros num dia frio como hoje. Não importa se está gelado ou não. O negócio é trabalhar”.

Donas de casa

As donas de casa, por sua vez, reclamam. Valéria Argenton é uma delas. “Eu acordo de segunda a sexta-feira, às 6h20, e preparo minha filha para a escola, faço café, depois tenho a louça pra lavar. Não tenho torneira elétrica. É um sofrimento não somente para mim, mas para todas as mulheres que pegam no batente”, diz.

Segundo Valéria, a tarefa mais difícil no inverno é a roupa. “Duas vezes por semana lavo as roupas da família. E olha que somos apenas em três aqui em casa. Quando esfria, as roupas são mais grossas e dão mais trabalho”.

Açougueiro

Irineu Escalfi, 55, açougueiro desde 12 anos está passando por tratamento médico. Com problemas nos nervos dos braços de tanto trabalhar com gelo, ele não abandona o açougue. “Hoje eu não entro tanto na câmara fria, mas mesmo assim, é o dia inteiro lidando com o gelo. Os médicos até pediram para que eu parasse, mas não consigo ainda”, revela.

Irineu é proprietário de uma casa de carnes, de onde tira o sustento da família, junto com a esposa e a filha. “Estou em tratamento mas não posso parar de trabalhar. O açougue é minha vida e meu sustento. Estou aqui em Umuarama desde 1981 e não vejo quando encerrar minhas atividades. Faça frio ou calor, é mandar ver”.

 

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