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Quebrando barreiras, mulher se torna motorista de ônibus em Umuarama

Márcia diz que alguns passageiros ainda se assustam quando vão embarcar, mas depois recebe elogios
Márcia diz que alguns passageiros ainda se assustam quando vão embarcar, mas depois recebe elogios
Foto: Jaqueline Mocellin

JAQUELINE MOCELLIN O Bemdito 14 de janeiro de 2018 16h33

Quem vê a mulher tímida e de aparência franzina não imagina que ela dirige um ônibus. Márcia Roberta Dias Camati, 32 anos, quebrou barreiras e se tornou a segunda motorista da Viação Umuarama a atuar no transporte coletivo urbano de passageiros.

Há cerca de 40 dias ela assumiu o cargo. Antes disso trabalhou um ano como cobradora da empresa. E foi acompanhando o dia a dia dos colegas motoristas que a vontade de dirigir a circular desabrochou. “Eu já tinha carteira D, mas tirei por tirar. Nunca imaginei que iria dirigir ônibus”, conta.

O primeiro passo foi conversar com seus superiores, que prontamente liberaram para que Márcia fizesse os treinamentos necessários para transportar passageiros. Foram cinco meses fazendo o itinerário apenas acompanhada pelo instrutor, sem pessoas dentro do coletivo. Depois disso ela passou por um curso de transporte coletivo e, para finalizar, foram mais alguns dias de treino dirigindo com passageiros.

O resultado da dedicação não poderia ser outro: na primeira avaliação foi permitido que Márcia assumisse a direção do ônibus sozinha.

Apoio total

“Minha mãe ficou um pouco assustada no início, mas depois me apoiou”, lembra, rindo do fato de ainda não ter levado a mãe, que é usuária do transporte público. “Acho que vou ter que levar pra ver se ela aprova mesmo”, brinca.

Márcia explica que também recebe muito apoio dos colegas de empresa. “Eles dão dicas e eu também pergunto e tiro minhas dúvidas, pois a maioria tem muita experiência”.

No entanto, o carinho mais especial vem dos passageiros. “No início achei que sofreria preconceito, mas a maioria fica surpresa quando vai embarcar e tem uma motorista mulher e depois me parabenizam pela coragem. Sempre escuto que sou cuidadosa para trocar marchas e passar nas lombadas. É muito legal”, comemora.

Por enquanto Márcia não tem uma linha própria. Ela está fazendo a linha São Cristóvão enquanto um colega de empresa tira férias.

Trocando as máquinas pela ‘máquina’

Antes de entrar na Viação, Márcia trabalhou 10 anos como costureira em uma confecção de jeans. A empresa acabou fechando devido a uma crise no setor e ela precisou se reinventar. “Uns dias antes de a confecção fechar eu saí distribuindo currículos. Fui chamada para entrevista na Viação, para trabalhar como cobradora. O salário era semelhante ao que eu ganhava e eu acabei aceitando”, explica a mãe solteira de dois filhos.

Mal imaginava que sua vida mudaria tanto e que hoje estaria na boleia do ônibus.

Márcia conta que o desafio é grande, literalmente, pois um ônibus mede em média mais de 7 metros. Ela ressalta que é preciso ter muita atenção ao trânsito e dedicação, pois é uma profissão complicada, como tantas outras. “Estou gostando do desafio e pretendo continuar como motorista por muito tempo. É preciso ter coragem e cuidado, pois estou transportando muitas vidas, inclusive a minha”, diz.

Ao que tudo indica, em breve Márcia terá mais uma colega motorista. Ela conta que outra mulher está passando pelos treinamentos para assumir o comando de um coletivo.

E a motorista finaliza deixando um recado: “espero que meu exemplo abra as portas desta profissão para mais mulheres. Seria bom ter mais colegas atuando aqui. Com dedicação qualquer pessoa consegue desempenhar qualquer profissão. Basta querer”. 

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