Dom João Mamede Filho retoma a agenda paroquial após período de tratamento  Foto: Arquivo/OBemdito
Dom João Mamede Filho retoma a agenda paroquial após período de tratamento Foto: Arquivo/OBemdito

Síndrome ligada a stress profissional deixou bispo afastado por 38 dias

O bispo diocesano Dom João Mamede Filho retomou nesta semana suas atividades paroquiais, após recolhimento de 38 dias em um centro de revitalização para tratamento dos sintomas da síndrome de burnout. O presbítero contou detalhes do período em entrevista ao programa Aragão Filho (Inconfidência AM) na manhã desta quarta-feira (11).

"Sentia dor esparsa pelo corpo todo, não muito aguda, calafrios e fadiga", contou.

Mamede revelou que, a fim de que o tratamento surta o curso almejado, é cortado inclusive o contato com telefones celulares. Ao longo das semanas, além da alimentação equilibrada, um dos focos é recuperar o ciclo de sono adequado, não inferior a oito horas diárias.

Embora comum, a síndrome de burnout não é de fácil detecção.

"Geralmente as pessoas não veem relação entre a hiperatividade e o problema que estão enfrentando", avalia Mamede.

Retomando a agenda, Mamede coordena reunião com o clero na tarde desta quarta.

Mas, afinal, o que é síndrome de burnout?

O termo burnout, que só se aplica no ambiente laboral, foi criado pelo psicanalista americano Herbert Freudenberger em 1974 para descrever o adoecimento que observou em si mesmo e em colegas.

Três características marcam a doença. A primeira é a exaustão, citada por 97% das pessoas acometidas consultadas numa pesquisa do ISMA Brasil  (International Stress Management Association).

Há fraqueza, dores musculares e de cabeça, náuseas, alergias, queda de cabelo, distúrbios do sono, maior suscetibilidade a gripes e diminuição do desejo sexual; 91% relataram desesperança, solidão, raiva, impaciência e depressão; 85% citaram raciocínio lento, memória alterada e baixa autoestima.

A segunda característica, com traços emocionais, liga-se à despersonalização ou ceticismo e distanciamento afetivo. O profissional passa a ter contato frio e irônico com os receptores do seu trabalho e, não raro, torna-se uma presença ranzinza e negativista.

A terceira refere-se mais à produtividade, com baixo grau de satisfação pessoal. A pessoa produz pouco e acha que isso não tem valor. A escalada até o caos é progressiva.

O burnout é produto de um mix de fatores pessoais, profissionais e sociais. Entre as causas individuais destacam-se o perfeccionismo, que leva à busca de uma excelência às vezes impossível, e o idealismo em relação à profissão, cobrando um engajamento pessoal para além dos limites.

Para fugir da síndrome de burnout

- Abandone o lema “Meu nome é trabalho”. Diversifique as fontes de gratificação e descubra seus hábitos de prazer. Leia mais, vá ao cinema, curta os amigos e os pets.

- Atenção aos sinais emitidos por seu corpo. A exaustão pode ser sintoma de várias doenças, de anemia a distúrbios da tireoide. Na dúvida, consulte um médico. Se for stress, procure desacelerar o ritmo e faça uma coisa de cada vez.

- Cuide de seu estilo de vida. Alimente-se bem, em horários regulares, sem exagerar no álcool e na cafeína. Durma o necessário para acordar reanimado.

-Inclua exercícios físicos na rotina. Eles ativam a circulação, estimulam o metabolismo, energizam e ajudam a administrar o stress.

- Conte com o apoio da família, dos amigos ou de uma prática espiritual. 

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