MULHERES DE OURO

O que é merecimento? Quem está apto a tê-lo? Como consegui-lo? No último dia 31, ao participar da festa de premiação Mulheres de Ouro, aqui em Umuarama, tive o prazer de ver o merecimento, quem o tinha e como o conseguiu. Onze mulheres, que se destacaram por seus trabalhos notáveis na sociedade, foram escolhidas e premiadas com o troféu concedido pela Câmara da Mulher Empreendedora e Gestora- CMEG. A CMEG foi criada pelo Fecomércio-PR, para desenvolver ações, apoiar e defender os interesses das empresas das mulheres de nosso estado. Faço parte há alguns anos da CMEG e de todo o nosso trabalho realizado, sem dúvida nenhuma, o prêmio Mulheres de Ouro é o mais emocionante e gratificante. Tenho a honra de receber os relatos das escolhidas e preparar os textos para os meios de comunicação e para serem lidos na noite da premiação. Ao ler cada texto parece que ouço cada uma me contando sua história. Histórias reais que construíram o merecimento de ser uma mulher de ouro.

O merecimento é tão bonito de se ver reconhecido! Receber honrarias é muito legal, mas recebê-las por merecimento é a honra da honra.

Ter o merecimento reconhecido não é sorte. É trabalho feito sem esperar que seja aplaudido. Merecimento quando fabricado, para ser apenas admirado, cai por terra. Merecimento quando construído ao realizar um bom trabalho tem alicerces na verdade. Quem o recebe realmente fez por merecer.  

Merecimento é um tipo de sucesso que o merecedor não pediu. Ele simplesmente está fazendo o que sabe fazer e, de repente, outras pessoas se dão conta de que aquilo é muito bom e reconhecem. Ele não acontece por acaso. Antes dele sempre há um processo. Como o casulo antes da borboleta. Antes dele acontecer pode haver muita dificuldade. Não que depois de ter o trabalho reconhecido a dificuldade deixe de existir, mas o começo é sempre mais difícil.  Dúvidas sempre existem e geram insegurança. Mas, depois de ver a realização, a força para continuar suplanta o medo do futuro.

É claro que o merecimento também tem de lidar com a indiferença. Tem gente que não se interessa pelo que o outro faz, independentemente do quão bom seja. E daí? O merecedor continua em frente, pois o trabalho em si é o que importa. Afinal, ele não fez o que faz esperando o reconhecimento alheio.  O mais bacana em um merecedor é que apesar da razão coordenar, quem dá a palavra final é o coração. Melhor ainda quando o coração se reconhece merecedor de coisas boas devido ao esforço dedicado ao longo da vida.

Reconhecer-se é importante, pois a gente tem o costume de culpar Deus, a nós mesmos e o mundo quando as coisas não dão certo. E fica no sofrimento. Merecimento não está ligado ao sofrimento. Está ligado à coragem de realizar, de aceitar nosso valor e nossa força divina interior que nos impulsiona a realizar coisas maravilhosas. Se não realizamos, algo está impedindo.

O que impede as boas obras é o comodismo. Esse é o verdadeiro mal. Disfarça-se de baixa autoestima, de falta de dinheiro, de vitimismo, mas no fim é um medo de se incomodar com algo além de nós mesmos.  Isso gera desmerecimento e nos impede de realizar atos notáveis, pois nos faz acreditar que somos menos do que realmente somos.

As histórias reais das mulheres que já receberam o troféu Mulheres de Ouro são encantadoras e o mais importante, inspiradoras. Nas três edições do prêmio, fiquei emocionada ao conhecer a história de cada uma e ao vê-las receber o troféu na festa de premiação. Merecedoras que não se davam conta até então de que eram tão importantes para a sociedade. Afinal, não fizeram para merecimento alheio. Realizam atos notáveis por que lhes é natural querer e trabalhar pelo bem comum. O merecimento é delas! E no dia 31 veio pelas mãos da CMEG. Que coisa mais linda de se ver! Que venha muito mais! E que nos inspirem a sermos melhores pessoas a cada dia.

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Ângela Russi é escritora. Autora da coleção Vire a PáginaO Rio Sagrado e Papel Machê.  Cronista e palestrante Storytelling em educação, atendimento e empreendedorismo.

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