Talvez o amor seja...

Já contei que eu era noveleira? Por causa disso, em 1982, assisti na Band à novela “Ninho da Serpente”. Que trama boa! Havia uma personagem, feita pela atriz de teatro Denise Stoklos, que era impressionante. Ela uma artista disfarçada de empregada, que pintava um quadro misterioso em que queria mostrar o ninho da serpente, ou seja, os habitantes e a casa da família paulistana tradicional em que trabalhava.  Casa em que havia uma luta desumana e nada fraternal por poder. A novela teve uma trilha sonora incrível. E entre todas as canções, uma ficou como minha preferida para sempre. Ainda hoje continuo apaixonada e me emociono quando ouço Perhaps Love de Placido Domingo e John Denver.  Como amanhã será Natal, acredito que falar de amor e de família seja o tema mais propício nesse texto. Então pensei na novela, que não deve ser modelo de família. E nessa canção que fala sobre as definições de amor. O que é o amor?

“Talvez o amor seja como um local de descanso, um abrigo da tempestade. Ele existe para te oferecer conforto, para te manter aquecido. E naqueles tempos de dificuldade, quando você está sozinho, a lembrança do amor vai te trazer para casa. Talvez o amor seja como uma janela, uma porta aberta. Ele te convida para chegar mais perto. Ele quer te mostrar mais. Se você se perder e não souber o que fazer, a lembrança do amor vai te acompanhar. O amor para alguns é como uma nuvem e para alguns é forte como o aço. Para alguns é um modo de vida, e para alguns um modo de sentir. Alguns dizem que o amor está persistindo. Alguns dizem que está desistindo. Alguns dizem que o amor é tudo e alguns dizem que não sabem. Talvez o amor seja como o oceano, repleto de conflito e dor. Como uma chama quando está frio lá fora, um trovão quando chove. Se eu viver eternamente e todos os meus sonhos tornarem-se realidade, minhas lembranças do amor serão sobre você”...

Desculpem-me por usar um parágrafo inteiro com a letra dessa canção. Porém, pareceu-me uma boa ideia compartilhar essa letra com vocês. Talvez o amor seja também compartilhar coisas boas. Talvez o amor seja provado nas dificuldades, mas, ele se fortalece também ao celebrar alegrias. Talvez o amor seja querer estar por perto, mesmo que nem sempre consiga, pois quem ama também precisa de espaço e um pouco de solidão. Talvez o amor seja lembrar-se da pessoa em momentos bons, não apenas quando precisa de um ombro para chorar ou de ouvidos para te escutar.  Talvez o amor seja falar o que é necessário. Talvez seja ouvir quando é preciso. Talvez o amor seja respeitar a decisão alheia. Talvez o amor seja convidar para assistir à cerimônia do casamento, do batizado, da primeira comunhão, sem se preocupar com a festa que será para poucos. Talvez o amor seja aceitar o convite. Talvez o amor seja querer estar. Talvez o amor seja esse querer bem. Querer bem é ficar atento ao que faz bem ou mal ao outro. Ao que o alegra e ao que o entristece. Talvez o amor seja isso. Compartilhar todos os momentos. Simplesmente isso.

Talvez o amor tenha muitas definições, ele é complexo e simples ao mesmo tempo, mas quem ama sabe defini-lo para si.  Quem o define para si também sabe que ele não permite que um lar seja ninho de serpente. Caso seja, certamente não é lar, pois ali não há amor. É apenas um espaço em que habitam pessoas que se dizem família. Como natal é celebração da família, talvez o amor ainda consiga unir amanhã algumas que estão desunidas. Pois, talvez o amor seja enxergar cada um como realmente é. Sem ilusão. E ainda assim amá-lo. Talvez seja ou talvez não seja. A única certeza é que natal é a comemoração do nascimento de quem amou tanto que sua vida entregou. Por amor. Crendo nEle ou não, celebra-se.  Talvez o amor seja tudo isso para mim... E para você, qual seria sua definição?

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Ângela Russi é escritora. Autora da coleção Vire a PáginaO Rio Sagrado e Papel Machê.  Cronista e palestrante Storytelling em educação, atendimento e empreendedorismo.

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