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Com ‘ossos de vidro’, Nayari é apontada pelos pais como uma grande guerreira

Jovem batalhadora tinha o sonho de cursar ensino universitário e estava estudando Nutrição na Unipar em Umuarama

Foto: Reprodução Facebook

JAQUELINE MOCELLIN O Bemdito 22 de maio de 2019 11h41

A vida de Nayari Neri dos Santos, 23 anos, sempre esteve ligada aos hospitais e foi justamente durante uma cirurgia que a jovem faleceu na madrugada desta quarta-feira (22), em Umuarama. Nayari estava no ônibus que transportava estudantes universitários de Altônia e se envolveu em um acidente na rodovia PR-323 na noite de terça-feira (21).

A colisão com um caminhão resultou em 11 feridos e, infelizmente o óbito da acadêmica, que cursava o segundo ano de Nutrição na Unipar, na modalidade semipresencial.

Na manhã desta quarta os pais de Nayari tiveram a ingrata missão de ir ao Instituto Médico Legal (IML) de Umuarama. No local, em meio a muita emoção e extremamente consternados, Ilda Neri dos Santos, 48 anos e João Queiroz dos Santos, 51 anos, conversaram com OBemdito.

Ilda conta que a filha nasceu com uma doença genética, a osteogênese imperfeita, conhecida popularmente como ‘ossos de vidro’. “A vida dela sempre foi uma luta. A Nayari já sofreu 37 fraturas, passou por 13 cirurgias. Tinha placas de titânio na coluna para manter ela mais ereta, pois a doença deforma muito. Então minha filha sempre foi uma guerreira”, diz.

Dedicação aos estudos

Entre uma cirurgia e outra, a jovem sempre mostrou dedicação aos estudos. “O sonho era fazer universidade. Inicialmente ela pensou em cursar Psicologia, mas deixou de lado por se considerar tímida e acreditar que não iria conseguir falar com os pacientes. A gente que é pai, mãe, pensava que não seria bom ela ficar vindo de Altônia para Umuarama de ônibus. E por medo de não conseguir pagar para ela morar aqui, falamos pra ela fazer uma faculdade a distância, em Altônia mesmo. Mas como não tinha nenhum curso que ela se interessasse, quase desistiu. Depois abriu vestibular para Nutrição semipresencial. Assim ela viajava só de segunda e terça e estava adorando a universidade. Ontem mesmo ela veio para fazer uma prova”, diz Ilda.

A mãe também aponta que a filha era muito inteligente e esforçada. “Ela poderia estar aposentada se quisesse, por sua condição física, mas não queria ficar em casa parada. Por isso ela trabalhava como auxiliar administrativa no Sindicato Rural de Altônia, mexendo diretamente com processos de aposentadoria dos moradores da zona rural”, explica Ilda.

Além disso, Nayari tinha uma caminhada junto à igreja. A mãe lembra que ela frequentava as missas e chegou a participar de acampamentos de jovens. “Quando ela chegou uma certa vez e disse que queria ir para um acampamento, a gente entrou em pânico. Como minha filha, cadeirante, iria para um acampamento? Mas ela foi mesmo assim e voltou muito animada”.

Ilda com a filha Nayari: “A vida dela sempre foi uma luta"

Lembranças

João, pai de Nayari, praticamente não conseguiu conversar com a reportagem, devido a sua emoção. Ele apenas ressaltou que a lembrança que terá da filha é sua garra. “O maior exemplo é a força de vontade que ela tinha de vencer na vida e de viver. Sempre uma guerreira, que nunca desistiu e não tinha medo. Teve situações em que ela estava fraturada e, apesar da dor, ela que nos acalmava”, afirma.

A mãe também ressalta o exemplo de superação da filha. “Quando ela nasceu, o médico disse que não passaria de sete meses de vida. Mas minha filha guerreira viveu por 23 anos e meio. A vida dela foi uma superação enorme. Nunca se recusou a fazer uma cirurgia, sabia que tudo era para melhorar a qualidade de vida dela”, lamenta.

Forte até o último momento

Nayari foi socorrida do ônibus acidentado e encaminhada ao hospital Uopeccan, inicialmente com quadro que não aparentava tanta gravidade – ela imaginava que seria apenas uma fratura na perna. Porém, sua condição física (fragilidade dos ossos) pode ter ocasionado o falecimento.

De acordo com Ilda, os exames apontaram que ela fraturou duas vértebras e estava com um coágulo no cérebro, além de ter fraturado o crânio em vários lugares. A mãe disse que Nayari foi encaminhada ao centro cirúrgico emergencialmente, mas quando os médicos estavam retirando o coágulo ela não resistiu.

“Após o acidente, assim que retiraram minha filha do ônibus, ela ligou pra gente e estava consciente. Mesmo com a ligação ruim, ela disse que achava que tinha quebrado a perna e imaginamos que seria só isso mesmo. Quando chegamos ao hospital ela estava reclamando de muita dor na cabeça e na coluna. O médico disse que ela fraturou duas vértebras na coluna e teve o coágulo, além do crânio ter quebrado em vários lugares. Infelizmente ela não resistiu à cirurgia”, lamenta Ilda.

Mais respeito no trânsito

Para a mãe, a falta de respeito nas rodovias ocasionou a morte da filha. “É muita desumanidade uma pessoa causar um acidente como este. No ônibus estavam vários alunos. Pensa na tragédia que seria se o motorista não conseguisse desviar o ônibus e evitar a colisão frontal. E tudo isso em uma rodovia que já deveria estar duplicada”, lamenta.

Ela acrescenta. “O pior é pensar que este, com certeza, não será o último grave acidente nesta rodovia. Se continuar como está, outros mais irão acontecer. Peço que as pessoas, os motoristas, tenham mais amor ao próximo”, finaliza.

Velório e sepultamento

A expectativa dos familiares é de que o corpo de Nayari chegue a Altônia apenas por volta das 17h desta quarta. Na sequência terá início o velório, na igreja Matriz da cidade. O sepultamento deve acontecer na manhã de quinta-feira (23), no cemitério municipal, sem horário definido ainda.


 

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