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Paraná

Pesquisadores da UEM descobrem mais de 50 novas espécies no Rio Paraná

Legado é de inestimável relevância para a biodiversidade
Legado é de inestimável relevância para a biodiversidade
Foto: Divulgação

REDAÇÃO O Bemdito 21 de março de 2017 18h33

Nos últimos 30 anos, pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Noroeste do Estado, encontraram mais de 50 novas espécies de organismos e micro-organismos no Rio Paraná.

A mais recente descoberta, publicada no periódico científico Acta Protozoologica no início deste ano, foi a ameba (animal unicelular) Gandalfi, que ganhou esse nome por ter a habilidade de construir uma carapaça para se proteger, bem parecida com o chapéu pontiagudo do conhecido bruxo do Senhor dos Anéis, série de novelas criadas pelo escritor inglês J.R.R Tolken (1892-1973).

O biólogo Carlos Eduardo Aguiar Soares, mestre em Ecologia e Ecossistemas Aquáticos pela UEM, foi um dos responsáveis pelo achado. “Encontrei a espécie enquanto fazia pesquisas para a universidade no Rio Paraná no ano de 2012. Nunca tinha visto nada igual. Assim que descobri, fiz a análise óptica do microrganismo e revisei toda a literatura científica atrás de algo parecido”, conta. 

Quando percebeu que o micro-organismo era novo, Soares enviou uma amostra para Daniel J. G. Lahr, professor do Departamento de Zoologia do IB-USP, que trabalha com taxonomia, nome dado ao processo de descrição de novos organismos. Lahr, na ocasião, disse que o achado poderia ser algo novo, mas que ele ainda precisava de mais exemplos. Nos anos seguintes, no entanto, ele recebeu outras amostras de pesquisadores que encontraram micro-organismos parecidos em Minas Gerais, Tocantins, Amapá e Rio de Janeiro.

Com um grande volume de amostras em mãos, ele e sua equipe conseguiram descrever a nova criatura e colocá-la na lista de espécies catalogadas pelo ser humano.

Descobertas

A nova ameba foi descoberta no Rio Paraná, no trecho entre a Usina Hidrelétrica de Porto Primavera e a Usina Hidrelétrica de Itaipu. A região, segundo o pesquisador Luiz Felipe Machado Velho, do Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura (NUPELIA) – grupo focado de pesquisas – é rica em biodiversidade. “É um local especial e com muita vida. Temos dedicados os últimos 30 anos para conhecer todos os aspectos ecológicos daqui”, conta.

Tão especial, que foi considerada área prioritária de conservação pela Unesco. Velho, que também foi orientador de Soares no mestrado, conta que a região ainda tem muito a ser explorada. “Existem muitas espécies por aqui. Sabemos que são novas, mas ainda precisam ser descritas. Tem peixes, parasitas e muitos outros micro-organismos”, ressalta. 

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