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Saúde

A grama mais verde é sempre aquela que você rega

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 18 de abril de 2019 10h20

Atualmente estamos nos deparando com uma fragilidade emocional muito grande dos nossos jovens, que vivem reclamando de infelicidade e desamor pela vida. Nota-se esse aumento devido ao fato de como as mudanças tecnológicas e o desenvolvimento econômico vêm influenciando várias gerações.

Grande parte da chamada geração X ou Baby Boomers que nasceram a partir da década de 50, tinham como estilo a busca por uma segurança econômica, priorizando carreiras seguras, estabilidade financeira e profissional. Se trabalhassem duro, atingiriam os objetivos traçados. Sem muitas oportunidades para sonhar, suas aspirações foram empurradas para as próximas gerações.

Já a geração Y ou Yuppies surgiu no final dos anos 70 até meados dos 80, acompanhou os maiores avanços tecnológicos e também a quebra de paradigmas do mercado de trabalho. Fazem diversas coisas ao mesmo tempo e desejam o tempo todo, novas experiências. Enquanto a geração anterior procurava estabilidade e equilíbrio, a Y movimento e inovação.

Mas foi entre os jovens nascidos no final dos anos 80 e meados de 90 que a coisa toda desandou. A geração Z nasceu sob o advento da internet, do boom tecnológico e para eles estas maravilhas da pós-modernidade não são nada estranháveis. Videogames super modernos, computadores cada vez mais velozes e avanços tecnológicos inimagináveis há 25 anos atrás. Com um comportamento extremamente individualista e, de certa forma, antissocial.

Os valores familiares pregados pela geração X, seguidos pela Y, já não são válidos (conversar com os pais, sentar-se à mesa, etc). O contato virtual sobrepõe o mundo real. Esta também é chamada de geração silenciosa, pelo fato de estarem sempre de fones de ouvido (seja em ônibus, universidades, em casa…), escutarem pouco e falarem menos ainda.

A característica principal dos membros da geração Z é achar-se protagonista na sua vida. Desde pequeno, foram criados por pais que sempre mostraram que eles eram especiais, os melhores, que podiam tudo e quando quisessem. A oportunidade de ter inúmeras opções de escolhas, e principalmente, ser colocado sempre em uma posição especial, criou um excesso de permissividade, tornando-os onipotentes.

Estes jovens não aprenderam a ouvir não. Auxiliados por uma economia mundial crescente entre os anos 60 até 80, os pais possuíam uma carreira próspera e estável. Isto possibilitava a eles fazerem todas as vontades que os filhos queriam e que ele tinha se privado na infância. O resultado é formarem jovens que não aprenderam a ouvir um NÃO como resposta. A negativa, que poderia servir como limite para a criança aprender a tolerar, quando surgisse uma dificuldade na vida, foi excluída do seu dicionário.

Eles também não sabem o que é perder, pois nunca precisaram aprender com a derrota. A vida pra eles é um eterno videogame, é só pegar alguns truques no youtube que você vai passar de fase. Se der game over, basta apertar o continue. Quando ele se depara com uma derrota que não consegue mudá-la, fica extremamente frustrado.

Membros da geração Z tiveram a sensação de possibilidade ilimitada. Ao invés do conforto das possibilidades proporcionarem uma vida melhor, isso os deixou sentirem-se tremendamente esperançosos sobre as decisões da vida adulta, sua carreira, até o ponto em que os objetivos de prosperidade segura que seus pais tanto apontavam não vieram. Esta equação entre poder tudo e ser especial criou um problema demasiadamente grande a se revolver nesta geração: a infelicidade.

Quando a realidade não corresponde às expectativas, estes jovens tornam-se infelizes e não conseguem ter foco na vida. Com a internet, você pode aprender qualquer coisa a qualquer hora, basta ver um tutorial, passar 10 minutos na frente do seu monitor que já se torna um especialista no assunto. Você não tem tempo (nem saco) para dedicar-se em uma coisa só, por um longo período. Logo, abandona.

A falta de foco e o fato de fazerem tudo ao mesmo tempo cria várias lacunas na geração Z. As redes sociais, criaram um precipício entre a realidade do nosso cotidiano e aquilo que queremos passar para as outras pessoas. Basta dar uma breve olhada nelas e você verá fotos bonitas, ambientes perfeitos, pessoas extremamente inteligentes, uma galera feliz, vivendo coisas fantásticas. Quando o espectador observa estas imagens, cria um choque de realidade com sua vida comum, chata e simplória.

Porém hoje a internet não influencia somente os jovens, mas a população como um todo. Todos começam a pensar que “A grama do vizinho sempre é a mais verde”... os momentos que seus amigos passam são sempre os melhores. Não adianta o que faça, sua vida sempre será pior do que a dos colegas que compartilharam aquela foto foda no Instagram.

Para mudar este jogo, existem algumas coisas que membros da geração Z precisam aprender. Em primeiro lugar: O sucesso não vem rápido! O mundo não é tão fácil quanto um game de fases. Até chegar a fazer o que gosta (e ser bem remunerado por isso) você terá que se dedicar a fazer muita coisa que detesta. Grandes carreiras consomem anos de suor, lágrimas e sangue para se construir. Até mesmo os gênios do empreendedorismo levaram décadas, erraram bastante, até terem uma idéia que realmente deu certo.

Segundo: Aceite críticas! Esta geração tem “expectativas fora da realidade e uma grande resistência em aceitar críticas negativas” e “uma visão inflada sobre si mesmo”. Elas geralmente se sentem merecedoras de respeito e recompensa que não estão de acordo com seus níveis de habilidade e esforço.

Terceiro: Não se sinta uma estrela (Ainda)! Embora você possa construir um império, tenha uma idéia genial, torne-se muito rico e famoso no que faz, agora você não passa de um jovem inexperiente sem muita coisa a oferecer. Trabalhe duro, dedique-se por um bom tempo e, quem sabe, você chega lá?

Quarto: A grama do vizinho não é tão verde quanto você pensa! Esqueça o oba-oba das redes sociais em que mostram as pessoas sempre felizes e vivendo uma vida dos sonhos. Saiba que todas estas pessoas são igualmente indecisas e frustradas como você, duvidando também de suas potencialidades e capacidades, enfrentando dificuldades do dia a dia como qualquer um.

Se você se dedicar a regar e cuidar da sua grama, ter calma e compreensão que leva um tempo para vê-la crescer, manter o foco em seu real objetivo, não desistindo no primeiro obstáculo, agüentando firme e recomeçando quando algo não der certo, fortalecendo sua resiliência, você verá como alcançará resultados muito mais positivos e uma grama muito mais verde...E nesse processo de ressignificação (germinação) ela vai ficando cada dia mais bonita e vistosa, despertando um amor por uma vida que antes você não tinha , não restando mais tempo para ficar se comparando, se sentindo inferior e infeliz.

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(*) Andréa Sefrian (CRP08/12599) é Psicóloga Especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR, atua há 10 anos como psicóloga clínica ( CLINIMED ), além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas,  conciliando com o trabalho de Psicóloga do CRAS do Município de Xambrê, concursada há mais de 6 anos. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias e construindo possibilidades de esperanças. 

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