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Saúde

Burnout: Síndrome da desistência

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 14 de maio de 2019 17h30

Na tradução do inglês a síndrome de Burnout serve para designar “perda do fogo” ou perda do envolvimento com a ocupação, conhecida também como sendo a “síndrome da desistência”, pois o indivíduo com Burnout aparentemente parece incapaz de se envolver afetivamente com seu trabalho, em função de haver um esgotamento físico e emocional, normalmente devido a muito estresse laboral, o que acaba gerando uma falta de investimento tanto no que diz respeito ao seu próprio trabalho, quanto no que diz respeito às relações afetivas que dele provém.

Burnout pode ser considerado como uma forma de adaptação de pessoas que não possuem recursos para lidar com o estresse no trabalho, geralmente por se sentirem incapazes não só de investir energia em seu trabalho como também em conseqüência da incapacidade em lidar com o mesmo, em função de fatores pessoais ou mesmo de variáveis relativas ao trabalho ou a organização.

Esta síndrome afeta geralmente pessoas que trabalham com pessoas e, em geral, em pessoas que necessitam rever sua origem no trabalho que realizam. Vários fatores, na instituição, podem causar a síndrome: clima organizacional negativo, falta de autonomia, falta de apoio por parte da direção, condições de risco, insuficiente nível salarial, rápidas e complexas inovações tecnológicas obrigando o profissional a um constante e exacerbado aprimoramento, mudanças gerando disfunção de papel, sobrecarga de trabalho, entre outros.

Um dos principais sintomas iniciais é a desmotivação. O sujeito perde o sono, esquece coisas com facilidade, não consegue levar um projeto adiante e tem dificuldade para resolver pequenas questões do cotidiano na instituição. A pessoa fica irritada, rejeita atividades em grupo e não consegue tomar decisões. Mudanças repentinas de humor, depressão e aquela estranha sensação de que há um complô contra ele.

Além disso, o sujeito desenvolve também atitudes de desprezo e insensibilidade com os usuários de seus serviços. Esta é uma característica essencial na diferenciação entre estresse e Burnout. Outro fator é o fato de que uma pessoa com estresse após um período de férias pode se recuperar, enquanto uma pessoa com Burnout precisará mais do que isto, terá que re-trabalhar sua autoestima e autoconfiança.

Um dos agravantes do estresse no trabalho é a limitação que a sociedade e as organizações submetem as pessoas quanto às manifestações de suas angústias, frustrações e emoções. Por causa de normas e regras sociais as pessoas acabam ficando prisioneiras, obrigando-se a aparentar algo que não sentem e que infelizmente é incompatível com seus reais sentimentos. Porém, se a síndrome é descoberta e assumida, ainda em tempo pode ser bem tratada e ter boa recuperação a longo prazo.

Sendo assim, existem três grandes focos teóricos relacionados com o processo de terapia para quem possui a síndrome: Comportamental, Psicodinâmica e Humanista. Se o trabalho com o sujeito em Burnout for individual dificilmente se chega à cura, o aconselhável é trabalhar o sistema em que o sujeito está inserido também, pois, ele não entra em Burnout somente por fatores internos, mas também por fatores externos.

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(*) Andréa Sefrian (CRP08/12599) é Psicóloga Especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR, atua há 10 anos como psicóloga clínica ( CLINIMED ), além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas,  conciliando com o trabalho de Psicóloga do CRAS do Município de Xambrê, concursada há mais de 6 anos. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias e construindo possibilidades de esperanças. 

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