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Saúde

Depressão, melancolia e sensação de solidão de final de ano. E agora?

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 4 de dezembro de 2019 17h00

Já reparou que vai chegando o fim do ano e muitas pessoas começam a ficar um pouco mais tristes, sensíveis ou melancólicas? Pois é, isso é mais comum do que se imagina. Apesar de ser uma época de muitas comemorações e celebrações, para muitas pessoas se torna um período de grande angústia e ansiedade. 

Família e amigos reunidos, mesa farta, muitos presentes, uma linda decoração de Natal e muitas selfiesrepletas de sorrisos. O Natal também é tempo de solidariedade e amor ao próximo, quando as emoções ficam à flor da pele. Configura-se, então, o compromisso de uma alegria plena. Aos que não têm esse cenário “perfeito” no fim de ano, o sentimento pode ser de abatimento, tristeza e, por vezes, solidão.

A nossa cultura ensina que todo começo de ano, é o início de um novo ciclo e com isto você precisa estabelecer novas metas, se comprometer e dar tudo de si para alcançá-las. Porém, com o decorrer dos dias, os compromissos, o trabalho, os estudos, as novas experiências e pessoas que vão surgindo, vão preenchendo o tempo num piscar de olhos quase que imperceptível, e junto com isto aparece o cansaço que muitas vezes também acaba sugando boa parte da energia. 

De repente, quando você se dá conta, já se passou mais um ano, e nem todas as metas e sonhos foram alcançados, gerando um sentimento de frustração, incompetência, e muitas vezes um complexo de inferioridade também, principalmente quando se comparam com outras pessoas. 

Além disso, o final de ano também traz consigo a memória de outras festas, vividas na companhia de familiares ou amigos que se foram, ou bem aproveitadas em uma situação mais favorável, inclusive financeira. É o momento em que muitos dizem: “É o primeiro Natal sem o meu pai” ou “Mais um ano sem conseguir comprar uma casa ou um carro melhor”. 

Essa auto cobrança e pensamento focado no que não deu certo não é nenhum pouco saudável, então se você quer amenizar esses sintomas, avalie não apenas os resultados, mas o esforço feito no tradicional balanço de fim de ano. Considere que muitos fatores interferiram sobre os resultados que você obteve em sua vida pessoal e profissional e tente enxergar o empenho que colocou em cada objetivo. 

Será que você não fez o melhor que poderia ter feito, considerando a situação em que estava inserido e os recursos que tinha naquele momento? Também vale a pena colocar na conta as lições aprendidas com o que não deu certo. Afinal, são elas que vão levá-lo a um patamar mais elevado, lá na frente. 

Transforme a frustração em motivação.

Em vez de ficar se culpando pelo que não rolou (o que é muito improdutivo), pense no que pode fazer diferente para bater suas metas no ano que vem. E agradeça pelo que avançou neste ano, mesmo que ele tenha deixado muito a desejar. 

Não se sinta na obrigação de parecer feliz e satisfeito em todos os momentos, só porque a época é festiva. Se dê o direito de ficar mais reservado e aproveite a fase para um exercício de autoconhecimento. Encare as suas frustrações e tente entender porque elas estão ali. Se o coração apertar demais, chore, pois isso ajuda a aliviar a pressão. 

Se a tristeza se prolongar por meses, tornando-se um estado permanente, o melhor a fazer é procurar apoio profissional, com um psicoterapeuta. Quando a melancolia leva ao isolamento total e rouba a vontade de viver e de desempenhar até mesmo as atividades que antes pareciam prazerosas, é preciso investigar. O agravamento desse quadro pode levar a doenças mais sérias, como a síndrome do pânico, os transtornos de ansiedade e até mesmo a depressão.

É importante também saber que, tudo o que planejamos e vamos deixando para depois, chama-se procrastinação, e o que muitos não sabem é que ela está diretamente ligada com autoconfiança. 

Ou seja, se você não acredita e não confia no seu potencial, se sente por vezes, muito inseguro e inferior a outras pessoas, o seu próprio inconsciente automaticamente te sabota sem você nem perceber, mandando mensagens para o cérebro do tipo: “...ah eu não vou conseguir mesmo, deixa pra lá, outra hora vejo isso...” ou então “...não sei nem como começar... e se não ficar bom...” e com isto você vai adiando, adiando... e quando se dá conta já se passaram todos os prazos que você havia pré-determinado. 

Porém quando você consegue perceber que tem algo errado e que entrou nesse processo de auto sabotagem, você já trouxe para consciência que precisa iniciar uma mudança. É preciso entender que não há fórmulas e dicas prontas para resolver sua vida. Não que deixem de ser válidas, mas a mudança é um processo contínuo, completamente individual e, acredite, mais possível do que se apresenta. Ressignifique tudo o que passou como um aprendizado, e assim vai ver como pode ter um final de ano bem diferente.

_____________

(*) ANDRÉA SEBRIAN (CRP 08/12599) é psicóloga especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR e atua há 10 anos como psicóloga clínica na Clinimed, além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias de vida e construindo pontes de esperança. 

 

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