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Saúde

Os sociopatas entre nós

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 1 de maio de 2019 13h18

Em geral, sociopatas são pessoas que a princípio aparentam comportamentos normais, na maioria das vezes carismátcos, encantadores e sedutores, mas que ao se conviver e conhecer melhor, revelam que essa atitude é apenas um jogo de conquista, para alcançar seus próprios interesses.

Os sociopatas sofrem de um transtorno de personalidade causado por uma anomalia no funcionamento do córtex orbitofrontal — região do cérebro responsável por transmitir as emoções. É uma psicopatologia que provoca um comportamento impulsivo, hostil e antissocial, classificada como um transtorno de personalidade que é caracterizado por um egocentrismo exacerbado, que leva a uma desconsideração em relação aos sentimentos e opiniões dos outros.

Normalmente, os sociopatas são pessoas inteligentes, que esbanjam charme e acabam atraindo muitas pessoas a gostarem dela, porém com o tempo você vai percebendo comportamentos inadequados e a ausência de qualquer tipo de remorso quando fazem algo errado, pois não acreditam que possam falhar e não têm medo de uma possível punição por seus atos.

 Não sentem empatia pelo sentimento dos outros, não sentem culpa quando ferem ou prejudicam alguém, mentem compulsivamente como se fosse algo natural, são incapazes de manter vínculos afetivos profundos (as pessoas mais envolvidas à eles sempre percebem que falta algo na relação), além de serem super egocêntricos e narcisistas visando sempre e tão somente seus interesses.

Esse transtorno faz com que essas pessoas se tornem manipuladoras e perigosas porque usam várias estratégias para que as pessoas que passam por suas vidas se submetam às suas vontades. Eles muitas vezes colocam as pessoas umas contra as outras para atingir seus objetivos, ou fazem os outros mentirem para encobrir a verdade ao favor deles. O sociopata não tem apego aos valores morais e é capaz de simular sentimentos, para conseguir manipular outras pessoas. Além disso, a sua incapacidade de controlar as suas emoções negativas torna muito difícil estabelecer um relacionamento estável com outras pessoas.

Os sociopatas estão frequentemente no centro de um triângulo amoroso, e até arruínam casamentos. No ambiente de trabalho, eles prejudicam colegas de profissão para caírem nas garras do chefe. Em um círculo de amizades, podem fazer drama, se vitimizando, o que obriga as pessoas a tomarem partido enquanto eles controlam friamente toda a situação.

Eles estão em todo lugar... No trabalho, na escola, na Igreja, no seu namoro/casamento, ou até mesmo dentro da sua família. É preciso estar atento e perceber quem são essas pessoas, pois podem acabar se tornando uma grande ameaça a sua qualidade de vida e saúde mental. Se não aprender a perceber esses comportamentos e a lidar com esses tipos de pessoas, você acaba se tornando um refém de uma relação que só te suga e esgota tudo de bom que há em você, pois essas pessoas vão sempre querer tirar proveito de tudo o que você tem a oferecer... Seja dinheiro, status, sexo casual, mais poder, sua energia e dedicação, e assim por diante.

Os sociopatas não mudam para terem empatia. Nem “conversar", nem dar mil chances fará dele uma pessoa melhor. Se puder se distanciar o suficiente para perceber que o problema não tem a ver com você, terá mais poder para enfrentá-lo.

A sociopatia não tem cura, no entanto, os seus efeitos podem ser amenizados através da psicoterapia e da prescrição de medicamentos. Não há tratamento específico para sociopatas, e cada indivíduo passa por um processo de tratamento que varia de acordo com sua idade, gravidade da doença e possível presença de outros transtornos de personalidade.

 O uso de medicamentos e a psicoterapia são as opções mais utilizadas, pois podem ajudar no recondicionamento do comportamento do sociopata, ensinando o indivíduo uma nova maneira de lidar com a sociedade, sem prejudicar os outros. Um sociopata que reconhece sua doença e busca ajuda, se torna um sociopata funcional, que é aquele que se esforça ao máximo em tentar manter a situação sob controle, não afetando muito sua interação com outras pessoas.

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(*) Andréa Sefrian (CRP08/12599) é Psicóloga Especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR, atua há 10 anos como psicóloga clínica ( CLINIMED ), além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas,  conciliando com o trabalho de Psicóloga do CRAS do Município de Xambrê, concursada há mais de 6 anos. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias e construindo possibilidades de esperanças. 

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