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Saúde

SÍNDROME DO COMPORTAMENTO DE HOSPEDAGEM

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 21 de fevereiro de 2019 19h02

Dos mais variados problemas que afetam a vida conjugal, a maior reclamação hoje em dia é a precariedade do vínculo afetivo. Ela nasce na formação da personalidade, na infância. Porém, se a pessoa não forma um grau satisfatório de vínculo, encontrará dificuldades posteriormente nas relações que mantiver.

Acredita-se que a capacidade de formação de vínculo social é resultado da maturação e que deve ocorrer algum relacionamento logo no início da vida da criança se quiser que esta seja capaz de, mais tarde, formar vínculos significativos. Após o parto, o contato imediato da mãe com o bebê parece aprofundar a capacidade de resposta e vínculo.

Essa ligação faz parte de um sistema comportamental cuja serventia esta ligada à preservação da espécie. Pois os bebês são indefesos e incapazes de sobreviver sozinhos. Então, o apego entre o bebê e o seu cuidador viabiliza uma garantia a esta proteção e preservação, favorecendo um modelo para formar relacionamentos futuros. A forma pela qual a pessoa reage aos mais variados eventos da vida, tais como as rejeições, perdas e separações, depende da forma como foi estruturada a sua personalidade.

Se a formação da personalidade de uma pessoa contar com a existência de um vínculo precário, torna-se incompatível a existência de um relacionamento conjugal saudável. Em relatos clínicos obtêm-se históricos onde o marido ou a esposa não tiveram essa formação vincular com os seus pais. Posteriormente, na vida a dois, encontram dificuldades em manter o relacionamento por falta desta condição. Geralmente, por força do encanto exercido no período de namoro entre duas pessoas, vários comportamentos ficam ocultos. Porém, na rotina do relacionamento eles emergem, incluindo a dificuldade de manter o vínculo afetivo, causando a Síndrome do Comportamento de Hospedagem.

Esta síndrome vai distanciando o casal através de comportamentos independentes ao extremo. A pessoa age, inconscientemente, de forma semelhante a um hóspede dentro de sua casa. Realiza as suas atividades comuns. Mantém a comunicação e os hábitos rotineiros, inclusive os financeiros. No entanto, a sua forma de ser e estar apresentam um novo item: a frieza ocasionada pelo distanciamento.

Aos poucos vai agindo como se fosse alguém que está hospedado na casa, cumprindo com alguns papéis pertinentes, todavia, trata as questões, antes parcimoniosas, de forma independente. Deixa as responsabilidades, sobretudo as domésticas, para o outro cuidar. Onde havia uma atmosfera de cordialidade e doçura, passa a existir um espectro de isolamento e pesar. O outro vai percebendo, sensivelmente, as diferenças no tratamento recebido e acaba por se sentir, pouco a pouco, só. A sensação deste isolamento origina-se na forma pela qual a ausência do vínculo se manifesta nesta relação.

A pouca consciência a respeito da SCH provoca a discórdia entre o casal, atingindo quem estiver por perto nesta convivência, via de regra, os filhos. Este comportamento de hospedagem reflete o quanto o seu portador, inconscientemente, procura manter distancia afetiva do outro para que não haja envolvimento. Caso ocorra uma separação, desta forma, evitar-se-á o sofrimento de uma provável desvinculação. A despedida neste tipo de relacionamento demanda apenas a retirada de bagagens.

A tendência da síndrome é gerar um conflito pessoal e, conseqüentemente, no casal, que pode acabar até se separando. Muitas vezes o portador da síndrome não enxerga o problema já antigo, acredita que ela nasceu dentro do relacionamento, porém ela apenas foi desencadeada durante o convívio. Todavia, a conversa conjugal é capaz de abrir a primeira porta para a identificação desta síndrome, bem como buscar ajuda especializada, objetivando a melhora pessoal e uma vida conjugal saudável com psicoterapia.

É preciso administrar os problemas existentes dando lugar ao desenvolvimento qualitativo de vida. Isto se dá de dentro para fora. Leva tempo, entretanto, deve-se considerar que os resultados, conforme a vontade empregada no processo, trarão maior liberdade para viver, individualmente e de forma conjunta.

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(*) Andréa Sefrian (CRP08/12599) é Psicóloga Especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR, atua há 10 anos como psicóloga clínica ( CLINIMED ), além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas,  conciliando com o trabalho de Psicóloga do CRAS do Município de Xambrê, concursada há mais de 6 anos. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias e construindo possibilidades de esperanças. 

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