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Colunista

Como lidar com o momento de Crise e Isolamento?

A inatividade pode produzir o desânimo. Evite não fazer nada. Se o ócio não for criativo, pode conduzir a um estado de letargia existencial

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 27 de março de 2020 14h00

Na psicologia entende-se que uma crise não é um momento de pânico ou sem saída, mas sim, um momento para se ressignificar o acontecimento negativo, enxergando a nova oportunidade que vem junto com a crise, para uma transformação, uma nova chance de se fazer diferente.

Como seres humanos, nos reconhecemos como pessoa e nos organizamos em sociedade por meio da interação social. Portanto, durante períodos de isolamento, o mal estar psicológico pode se instalar, fragilizando nossa capacidade de adaptação e reação ao estresse do confinamento, produzindo respostas fisiológicas e emocionais que podem impactar nosso sistema imunológico e a condição de equilíbrio mental para enfrentamento de situações adversas.

Para que isso não ocorra, devemos mudar o foco dos nossos pensamentos negativos, pois a vitimização só destorce a realidade. Devemos pensar que estar isolado não é uma punição e sim uma preservação e contribuição para o bem comum. Permanecer em casa por alguns dias é necessário, mas não é uma condição definitiva. Em breve, tudo voltará ao normal. Lembre-se sempre que você tem condições de ressignificar o momento atual e dar a sua contribuição.

Em algum momento é fato que você sentirá solidão, mas quando ela vem como uma percepção de abandono, pode produzir tristeza em excesso e potencializar traços depressivos inerentes a cada pessoa. Sendo assim, utilize toda tecnologia disponível para manter-se conectado com a vida e com pessoas que você estima. Una-se aos seus familiares e amigos, promovendo boas conversas por meio de videochamadas, telefonemas ou mensagens. É possível se fazer presente, mesmo estando fisicamente distante.

Evite o pessimismo como um padrão de pensamento, pois ele impede a percepção de novos cenários. Quando estamos amargurados, nosso interior fica enrijecido, e nossas reações e comportamentos podem se revelar de forma destrutiva, ferindo aqueles que estão a nossa volta e nos impedindo de enxergar soluções. Você tem condições de pensar diferente a fim de aliviar as dores produzidas pelo momento atual. Só precisa se permitir.

A inatividade pode produzir o desânimo. Evite não fazer nada. Se o ócio não for criativo, pode conduzir a um estado de letargia existencial. Encontre nas atividades manuais e nas atividades físicas, que possam ser executadas em casa, um meio para aliviar desconfortos e preencher o tempo. Mova-se e alivie a tensão do isolamento.

Estabeleça uma rotina diária pois isso irá ajudar na realização de seus propósitos. Um regime de home office para alguns pode não ser uma experiência prazerosa, gerando uma certa insegurança e angustia. Portanto, organize seu tempo, incluindo períodos voltados a sua atividade profissional. Respeite intervalos como o almoço, pausas para o café e término de expediente. Não abra mão do tempo livre! Leia, interaja com outras pessoas e descanse!

Evite viver numa perspectiva meramente individualista. Claro que sua individualidade é importante, mas a dimensão coletiva não pode ser ignorada. É importante que todos tomem consciência das dificuldades atuais, exercitando empatia, firmando acordos e regras de convívio, e buscando um elevado espírito de colaboração e apoio mútuo, a fim de tornar a vida agradável durante esse período.

Alguns desconfortos com a nova rotina surgirão, mas se soubermos minimizar os sentimentos negativos em relação ao novo contexto, conseguiremos mais força e ânimo para enfrentarmos esse momento de crise com muito mais inteligência, consciência e empatia! Colabore com o inevitável e novas visões de mundo e maneira de se viver se abrirão à sua frente!

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(*) Andréa Sefrian (CRP08/12599) é Psicóloga Especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR, atua há 10 anos como psicóloga clínica ( CLINIMED ), além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas,  conciliando com o trabalho de Psicóloga do CRAS do Município de Xambrê, concursada há mais de 6 anos. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias e construindo possibilidades de esperanças. 

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