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Exaustão Feminina: Padrões que estão adoecendo as mulheres!

"Mulheres acordemos para nossa história e nos libertemos da exaustão compulsória que nos é imposta pelo abandono social e demandas inumanas que nos colocam como nossa responsabilidade"

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 12 de fevereiro de 2020 12h25

Sabe aquela exaustão que a mulher da sua vida esconde de você com um sorriso no rosto, com medicamento que você não sabe que ela toma, por trás de ataques de raiva que você diz ser frescura, pelo choro escondido quando toma banho sozinha, ou pela depressão e ansiedade que nada faz passar. Aquela exaustão que ninguém fala, ou que se fala ninguém leva a sério.

Aquela exaustão que não vai passar nem se indicarmos os melhores florais ou vibrações positivas, porque não é um problema individual a ser medicado ou tratado alopaticamente ou naturalmente. É um problema sociopolítico.

A sociedade está adoecendo as mulheres há tempos. E por isso, já as chamaram de histéricas, já as queimaram chamando-as de bruxas, já as puniram chamando-as de feministas: “Não era isto que vocês tanto queriam?”

Não, meu filho. O que a gente quer está ainda muito além. Porque não é um querer como um presente ou uma condescendência, é o mínimo de respeito e dignidade. O mínimo para termos nossa sanidade de volta. Porque enquanto isso não acontecer seguiremos tendo bournout por estarmos carregando o mundo nas costas, dentro e fora de casa, e seguiremos invisíveis para a sociedade que insiste em não nos ver e que quando nos ouve, dá um jeito de nos ofender e ridicularizar para cessar um confronto inevitável com a nossa visibilidade e nossas demandas.

Nós existimos. E nossa exaustão também é culpa sua marido que se acomoda porque sua mulher sabe administrar tudo muito bem sozinha. Também é culpa sua filho que acha que está cansado demais para colaborar com qualquer coisa que possa desafogar sua mãe. Também é culpa sua pai que cobra perfeição em tudo que sua filha faz. Também é culpa sua empregador que exige metas cada vez mais altas do nosso potencial.

A culpa é minha, é sua, e da sociedade que não enxerga os padrões que têm imposto e exigido tanto de mulheres brilhantes, fazendo-as chegar ao esgotamento total.

Mulheres acordemos para nossa história e nos libertemos da exaustão compulsória que nos é imposta pelo abandono social e demandas inumanas que nos colocam como nossa responsabilidade.

Quem fica responsável por nós?

Somente nós sabemos o que passamos e se você é privilegiada e não sabe o que uma outra mulher passa, ouça: Ela precisa ser acolhida e não julgada e ridicularizada por você. Há mulheres abandonadas à exaustão da desumanidade pedindo socorro, à margem das periferias, nos campos, nas fábricas ilegais, até em prostíbulos, negligenciadas e com a vida podada pela metade, pelo simples fato de terem nascido assim, numa cultura preconceituosa que ao invés de reconhecer seu valor, somente suga e exige cada vez mais de quem luta para somente conseguir seu lugar ao sol.

A luta pela nossa independência mostrou que então somos nós que devemos reconhecer isso. A sua realidade não é única. Há diferentes níveis de exaustão. Todas são válidas. Somente nós podemos nos resgatar desse esgotamento, se não, ninguém o fará por nós.

Portanto é necessário que busquemos o autoconhecimento e entendimento sobre nós mesmas e nossos limites, pois somente assim, e com muita empatia, conseguiremos direcionar ações voltadas ao resgate do prazer em ser, e se reconhecer livremente mulher.

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(*) Andréa Sefrian (CRP08/12599) é Psicóloga Especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR, atua há 10 anos como psicóloga clínica ( CLINIMED ), além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas,  conciliando com o trabalho de Psicóloga do CRAS do Município de Xambrê, concursada há mais de 6 anos. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias e construindo possibilidades de esperanças. 

 

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