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Colunista

“Me apaixonei pelo que eu inventei de você... E agora de quem é a culpa?...”

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 10 de junho de 2020 18h48

Como já dizia Marília Mendonça... “...É tipo um vício que não tem mais cura. E agora, de quem é a culpa?...”

Sinto lhe informar, mas é sua mesmo meu bem, pois foi você que inventou uma versão inexistente de um relacionamento que nunca foi de verdade, pelo apego e as carências que existem aí dentro de você, e acabou desenvolvendo uma dependência emocional.

Todo apego, não é uma situação física, é um fenômeno mental que decorre independente da presença de determinada pessoa em nossa vida ou não. Ele surge dentro da ideia da necessidade que temos em relação a certa pessoa. Ou seja, não nos apegamos pelo que a pessoa é em si, nos apegamos em razão das carências que carregamos dentro de nós, e idealizamos sobre outrem.

Em alguns casos, é natural sentirmos falta de algumas pessoas, que por alguma razão não estão em nossas vidas momentaneamente, ou que saíram dela por diferentes razões. Nessas ocasiões sentimos falta da presença, dos momentos vividos, das emoções geradas pela convivência e da energia que aquela pessoa transmitia para nós. Porém, apesar da falta e da saudade, compreendemos as circunstâncias que geraram aquela situação, e entendemos que precisamos seguir em frente carregando o melhor que ela nos deixou.

Já o apego necessita inconscientemente daquela pessoa em decorrência da falsa idéia de que apenas ela pode suprir dentro de nós determinada carência.

Quando estamos muito apegados a alguém, a pergunta que devemos fazer é: Sinto falta dessa pessoa ou da função que ela cumpria em minha vida?

Muitas vezes o que sentimos falta é da segurança, do amor, da aceitação, do carinho, da importância que sentíamos com a presença dessa pessoa e que ainda não aprendemos a sentir por nós mesmos. Por isso que hoje ouvimos tantas pessoas que estão num relacionamento, dizendo ainda assim, se sentirem sozinhas, vivendo insatisfeitas e cobrando a presença do outro constantemente.

Portanto, é necessário tomar cuidado, pois não desapegamos quando encontramos alguém que nos proporcione essas sensações. Sua vida afetiva não deve se tornar um jogo de substituições de pessoas que suprem ou não suprem suas ilusões. Cometer esse erro, pode fazer com que o apego faça as pessoas se tornarem uma bengala emocional que os mantém ligados mentalmente, mesmo com quem já saiu de suas vidas.

E isto não acontece somente com pessoas que passaram pela sua vida, acontece com quem ainda está também...Então diante disso eu te pergunto: E esse namoro aí? É só por carência e comodidade ou é feito de pessoas de verdade, que se reconhecem como imperfeitas, buscando a evolução pessoal de cada um, sonhando com um futuro real?

Só desapega de verdade aquele que olha para dentro si e tenta suprir suas necessidades emocionais, identificando as crenças e ilusões que deram origem a essas carências e compreendendo que não é o outro que as irá preencher, pois apenas nós temos o poder de mergulhar em nosso interior e ressignificar a maneira com que nos vemos. É nesse momento que todo apego se transforma apenas em saudade e libertação emocional.

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(*) Andréa Sefrian (CRP08/12599) é Psicóloga Especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR, atua há 10 anos como psicóloga clínica ( CLINIMED ), além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas,  conciliando com o trabalho de Psicóloga do CRAS do Município de Xambrê, concursada há mais de 6 anos. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias e construindo possibilidades de esperanças.

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