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Porque é tão difícil sair de um relacionamento abusivo?

A vítima de relacionamento abusivo é o ponto mais sensível para interromper tais relacionamentos

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 30 de julho de 2019 15h40

É fato que, perceber uma pessoa querida vivendo um relacionamento abusivo, nos causa uma série de sentimentos conflituosos. Causa muita indignação ver uma pessoa cheia de atributos intelectuais, físicos e morais sendo tratada como se fosse um lixo, pior ainda é perceber a passividade dessa vítima, aceitando tudo sem nada questionar e ainda demonstrando muito temor em perder o seu algoz a quem ela refere-se como “amor”. Com isto essas pessoas acabam sendo sempre vistas como alguém que “não tem vergonha na cara”, “que só dá valor em quem não presta” dentre outros julgamentos. O que a maioria das pessoas talvez não compreenda é o motivo que leva alguém a se posicionar dessa forma nos relacionamentos amorosos e, também, em outros contextos.

Ocorre que costumamos avaliar as pessoas pelo o que elas apresentam externamente, então, diante de uma pessoa bonita e culta, tendemos a acreditar que ela é dona de si e que faz sempre as escolhas mais sensatas para ela. Entretanto, não é bem assim que a coisa funciona. Nem sempre uma pessoa com um elevado nível intelectual possui independência emocional. Esses dois atributos, não são, necessariamente, vinculados.

Na realidade, quando você olha aquela mulher super bonita e interessante ou aquele homem super bacana vivendo essa realidade tão triste, é preciso entender que eles não se enxergam assim. Eles não têm a menor consciência da beleza física, ou de qualquer outra virtude que eles possam ter. Essas pessoas já entraram no relacionamento com a autoestima adoecida e, se ainda tinha algum resquício de amor próprio, ele foi extinto na convivência com o parceiro.

Com isto vivem aprisionados pelo medo... Medo da solidão, medo de não ser aceito, medo de não ser amado do jeito que é. Os abusadores têm um perfil carismático e agradam a todos ao seu redor, escolhendo sempre pessoas com baixa autoestima, que normalmente se tornam dependentes nas suas relações. Quando abusadores iniciam uma relação fazem o possível para provar o quão bom podem ser, depois entram num ciclo intermitente de bondade e abuso psicológico com a vítima, o que faz com que ela sempre fique presa na esperança de que os bons momentos voltem, ou no pensamento de que ela pode ser a pessoa que vai ajudar ele a mudar e ser melhor, num desejo muitas vezes inocente de ser a salvação da vida dessa pessoa que “no fundo parece ser tão boa.”

E é aí que a as manipulações tomam o controle da relação: “Primeiro ele te conquista fazendo você se sentir a pessoa mais especial do mundo, demonstrando ser quem realmente te conhece e valoriza tudo o que você tem de bom. Após um período em que ele sente que já ganhou o seu amor, ele passa a maltratar, ofender, trair, mentir, e algumas vezes até a agredir fisicamente, porém essas situações, veem logo seguidas de um discurso de arrependimento, de dor em ter que fazer isso com você, porque na verdade é você a culpada por tudo isso, pois se você não tivesse feito ‘isso ou aquilo’ ele não teria agido dessa forma com você, mas ele continua com você, mesmo você sendo tão péssima e cheia de defeitos, ele faz você acreditar que ele é a única pessoa que vai te amar na face da terra te aceitando do jeito que você é.” (Relato de uma paciente heroína que conseguiu salvar a própria vida, rompendo com uma relação abusiva).

O relacionamento abusivo já seria uma situação inaceitável em si mesma. Mas é ainda mais grave, pois influencia praticamente todos os aspectos da vida da vítima.
O abuso emocional causa um trauma tão severo quanto uma agressão. A manipulação por que passam as vítimas de uma relação abusiva faz com que elas desenvolvam problemas de autoconfiança, e muitas chegam a ter depressão. Uma das principais consequências desse sistema perverso é o isolamento da pessoa. A vítima, dominada pela visão do agressor, se afasta de amigos, colegas de trabalho e de sua própria família, o que torna o combate ao abuso ainda mais difícil. Algumas pessoas são obrigadas a sair de seus empregos e parar de participar de eventos sociais, como ir a Igreja ou a academia.

A vítima de relacionamento abusivo é o ponto mais sensível para interromper tais relacionamentos. Isso por que ela é isolada e culpabilizada pela situação, seja por amigos e familiares ou seja por si mesma. Acabar com a culpa que a pessoa sente é essencial para que ela se liberte desta ligação nociva.

E para ajudar neste processo, o papel do psicólogo, é fundamental. Em primeiro lugar, ele ajudará a vítima a perceber que está em um relacionamento abusivo. Depois, o profissional conduzirá a pessoa no caminho de restaurar sua autoestima. Dessa forma, ela poderá quebrar o ciclo do relacionamento abusivo e, por fim, livrar-se dele sem cair nas chantagens do parceiro agressor. Esse processo possibilitará que a pessoa retome o curso normal de sua vida.

 

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