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Colunista

Traição: um dos traumas mais difíceis de serem superados!

Quem trai normalmente são pessoas obsessivas compulsivas, que não tem maturidade emocional para controlar os impulsos de prazer

Foto: Arquivo OBemdito

ANDRÉA SEFRIAN (*) O Bemdito 30 de outubro de 2019 10h28

Uma das necessidades mais básicas do ser humano como se alimentar, beber, é também a de ser reconhecido. O ser humano tem a necessidade de ser visto, reconhecido, amado, querido.

Na nossa cultura principalmente, um dos primeiros desejos e brincadeiras de criança é relacionado a brincar de casinha, papai e mamãe, bonecas que são filhas, ou seja, desde cedo é incutido no inconsciente do ser humano o padrão da construção de uma família.

Meninas crescem sonhando com o príncipe encantado, e meninos crescem pensando em quando vão conseguir ter seu primeiro carro... a princesa na maioria das vezes é uma conseqüência que vem só depois...Rs...No entanto, quando chegam na vida adulta e decidem vivenciar a vida a dois, com as diferenças e dificuldades que vão aparecendo no dia a dia, alguns são resilientes em enfrentar juntos, mas o que não são, acabam cometendo erros graves que sem perceber podem transformar negativamente a vida de uma pessoa para sempre.

Quando surge a traição, a privação, a instabilidade e o esgarçamento dos laços afetivos e de solidariedade, a relação deixa de ser um espaço de proteção para ser um espaço de conflito, a superação desta situação se dá de forma muito fragmentada, resultando, assim, na sua desestruturação.

Quando a traição entra em uma relação, se vive o rompimento da prioridade de alguns vínculos, produz-se muito sofrimento e leva o individuo à descrença de si mesmo, tornando-o frágil e com baixa auto-estima. Esta descrença conduz ainda o indivíduo a se desfazer do que pode haver de mais significativo para o ser humano: a capacidade de amar e de se sentir amado, incorporando um sentimento desagregador.

O resultado do trauma causado é bem evidente, onde é possível verificar que as vítimas tendem a repetir padrões ou, em muitas situações, a criar crenças disfuncionais de si mesmas, que podem fazer perder o verdadeiro sentido de suas vidas e acabar nunca mais voltando a ser o que eram antes.

Quem trai normalmente são pessoas obsessivas compulsivas, que não tem maturidade emocional para controlar os impulsos de prazer, pois não pensam e não sentem culpa nas conseqüências que surgem a longo prazo.

Traído qualquer um pode ser, porém aquele que perdoa e aceita conviver novamente com seu traidor, corre o risco de nunca superar o trauma, já que entra em um ciclo neurótico de desconfiança e ao mesmo tempo de aceitação pela necessidade de sentir amado e ser prioridade novamente.

De modo geral, ser alvo de uma traição causa sofrimento, angústia, mágoa e muita revolta. Seja retomando a relação ou seguindo em frente sozinho, costuma demorar um pouco para a vida entrar no eixo. Para algumas pessoas, no entanto, o impacto é tão grande que acaba causando um medo extremo de se envolver afetivamente de novo. Superar esse trauma é um processo doloroso, porém não impossível.

Muitas mulheres que na cultura brasileira são as maiores vítimas, perdem a confiança em si mesmas após um episódio de traição, se enxergam como as causadoras da infidelidade, não se sentem dignas de serem amadas integralmente novamente.  Para resgatar a autoconfiança, assuma apenas a sua parte no que aconteceu, não mais do que isso. Lembre-se: você não tem controle sobre a vida alheia, é responsável apenas pela sua. Foque seus pensamentos no que você quer em um relacionamento e evite manter na cabeça aquilo que não deseja, como a desconfiança, os medos e as incertezas.

Não se obrigue a engatar um novo relacionamento amoroso rapidamente, para mostrar ao ex que está bem ou simplesmente para não ficar sozinha. E, principalmente, controle seu impulso de oferecer de 'mão beijada' a confiança a alguém. Observe o outro, permita-se ser conquistada aos poucos. Confiança 'cega' no início de uma relação pode ser sinônimo de frustração e dor. Comece devagar, pois você está reaprendendo a confiar. E tenha em mente que as pessoas são diferentes, portanto esqueça as comparações. Cada pessoa é única e os relacionamentos também têm suas singularidades.

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(*) Andréa Sefrian (CRP08/12599) é Psicóloga Especializada em Gestão Estratégica de Pessoas pela PUC-PR, atua há 10 anos como psicóloga clínica ( CLINIMED ), além de ser palestrante e prestar consultorias e treinamentos em instituições e empresas,  conciliando com o trabalho de Psicóloga do CRAS do Município de Xambrê, concursada há mais de 6 anos. Apaixonada pelo ser humano, acredita que sua missão de vida é trabalhar ouvindo histórias e construindo possibilidades d

 

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