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Esporte

Jogadora umuaramense é destaque do futsal nas quadras italianas

Kalê, 29 anos, é atleta do Royal Lamezia e conquistou diversos títulos

Foto: Danilo Martins/OBemdito

ALINE REIS O Bemdito 5 de julho de 2019 20h30

Quem via Kalê jogando bola entre os meninos não podia imaginar o futuro brilhante que a atleta teria no futsal. Hoje, a jogadora atua no Royal Lamezia, da Itália e celebra o grande momento da carreira aos 29 anos.

As primeiras partidas foram disputadas na Escola Municipal Nicanor dos Santos Silva. Do interclasse aos jogos escolares e depois Jogos Abertos e Juventude Kalê sempre foi destaque pela sua habilidade e pelo número de gols marcados.

Aos 16 anos saiu da Capital da Amizade e foi para Campo Mourão. Depois para Londrina e finalmente e para o C.A.F.E., de Cianorte, onde conquistou inúmeros títulos, entre eles: o paranaense Série Ouro, Jogos Abertos, Copa Paraná e brasileiro.

No ano passado, recebeu uma proposta do Royal Lamezia, que surpreendeu a atleta. “Eu já estava pensando em desistir. Estava atendendo personal, porque sou formada em Educação Física e também trabalhando na escolinha da Chapecoense. Aí veio a proposta e eu realmente não esperava”, conta a atleta em entrevista exclusiva para OBemdito.

Em julho a agente que cuida da carreira, que vive na Itália, enviou materiais com lances e gols para alguns clubes do país e recebeu alguns retornos, incluindo do Royal Lamezia.

Kalê falou com a mãe, que ainda mora com a família em Umuarama e embora a distância fosse um fator preocupante não houve dúvida. “Eu falei pra ela ir. Se é o sonho tem que agarrar as oportunidades né?”, diz dona Edina Barbosa.

“Eu sempre quis jogar fora, mas não achei que ia acontecer. Várias colegas que jogavam comigo estavam indo, eu achava que estava bem, mas essa proposta não vinha. Então comecei a pensar no plano B, mas depois de analisar acabei aceitando”, lembrou.

Distância

A vida da Kalê, em decorrência da carreira de jogadora, nem sempre foi muito próxima à família. Há cinco anos a atleta perdeu o pai e isso teve um grande impacto. Foi ele quem a levou para os primeiros jogos, ainda como expectadora.

Mas ser uma mulher que atua no futsal, esporte que tem boa visibilidade entre os homens, mas que é negligenciado quando se fala na categoria feminina é resultado de muita insistência.

Kalê lamenta ter tido que sair de Umuarama para dar os primeiros passos no esporte. “Eu fico triste eu tive que sair da minha casa, deixar minha família toda, perder toda infância de sobrinho, de viver com minha mãe, com meu pai para ir pra fora”, critica.

Felizmente, nenhuma das dificuldades barrou o sonho da jogadora. “É amor. Se fosse para desistir já tinha desistido aqui em Umuarama”.

Falta de apoio

Quase vinte anos depois do primeiro contato com o futsal, Kalê, que deu os primeiros passos no esporte junto com a volante Thaísa da seleção de futebol de campo, não vê muitas mudanças no cenário.

“Às vezes eu pensava: o que eu tô fazendo? Meu pai morreu, eu passei por cirurgias e é triste a gente voltar aqui e estar na mesma coisa. Tem o time das meninas (Master Futsal), mas que jogam torneios, não jogam um campeonato paranaense”.

O Umuarama Futsal (AFSU) mantém um projeto social que atende 23 meninas no núcleo de Serra dos Dourados, outras 10 no distrito de Santa Eliza e 17 no bairro Parque Industrial em Umuarama. Segundo a prefeitura de Umuarama as atletas que se destacam nos núcleos são reunidas para representar o município em competições como jogos escolares e abertos.

No entanto, não há um time profissional na cidade e, conforme a AFSU, também não existe nenhum planejamento de que possa ser implantado um time profissional feminino.

“Eu vivi em Cianorte e tenho propriedade para falar. Cianorte é menor comparado com Umuarama e Umuarama não tem nada feminino. Tudo começa peça secretaria de esportes, lógico, eu vejo que aqui em Umuarama evoluiu com o Jefinho (secretário de esportes), mas falta mais”, critica a atleta.

Itália

A primeira partida da atleta na Itália foi contra o Grazziano e a umuaramense já estreou marcando gol.

O campeonato italiano tem 16 equipes com jogos em turno e returno. Na Itália há divisões e as datas das partidas seguem um calendário parecido com o futebol masculino.

Apesar da dificuldade do idioma – Kalê usava o celular como tradutor – dentro de quadra não houve problemas, tanto que mesmo com o contrato de um ano com o clube a atleta já foi sondada por outras equipes.

 


 

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