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Salão Carioca, cinquentão que povoa o imaginário afetivo de gerações

Assim como o histórico bar, estabelecimento ostenta legado de testemunha ocular da efervescência política e artística

Ambrósio Bispo de Oliveira: baiano boa praça é exímio barbeiro, cabeleireiro e contador de boas histórias
Ambrósio Bispo de Oliveira: baiano boa praça é exímio barbeiro, cabeleireiro e contador de boas histórias
Foto: Ricardo Trindade

REDAÇÃO O Bemdito 18 de outubro de 2020 17h30

Espaço modesto, mas aprazível, o Salão Carioca completou recentemente cinco décadas e provavelmente é o estabelecimento do gênero com atividade mais longeva em Umuarama.

O proprietário, Ambrósio Bispo de Oliveira, 82, é um baiano boa praça que adora relatar histórias vivenciadas por ele e pelas gerações de clientes que já passaram pela única cadeira da barbearia, localizada na rua Ministro Oliveira Salazar.

"Eram duas, mas acabei levando uma para casa", esclarece (como toca sozinho o empreendimento, em determinado momento considerou ser a melhor opção para otimizar o espaço).

A vitalidade é uma marca registrada da rotina de Oliveira, que faz a pé o trajeto de alguns quilômetros entre a residência, na avenida Rio Grande do Norte, e o salão. Uma aposentadoria a curto prazo não está nos planos.

Senta que lá vem história

Não é tarefa das mais fáceis sintetizar as boas histórias que brotam naturalmente do diálogo entre o especialista em cabelo e barba e os frequentadores assíduos.

Somente os primórdios poderiam inspirar um belo livro. O salão fica próximo do local que sediou a primeira prefeitura, e gestores como Hênio Romagnolli, Marciano Baraniuk e João Cioni engrossam a lista de clientes ilustres.  Oliveira também gosta de mencionar outros políticos históricos, como Tuguio Setogutte e Alexandre Ceranto.

A uma quadra da extinta Boca Maldita (Bar Carioca), seria inevitável que a efervescência política de um longo período estivesse intrinsecamente ligada à história do salão. 

Oliveira investiu no negócio, na metade do longínquo 1970, com o mesmo entusiasmo de tantos pioneiros encantados com a cidade que despontava como polo do Norte Novíssimo, como costumavam citar os diretores da desbravadora Companhia Melhoramentos.

"Carioca já era o nome do salão, e pegou", explica. Não apenas políticos, muitos artistas também aproveitavam para cortar o cabelo ou barba após um encontro no bar que servia cafés esfumaçantes e que ocupa presença obrigatória no inconsciente coletivo.

“Além da prefeitura, que era de madeira, muitos pontos comerciais importantes ficavam nesta região. Não existia uma rodoviária. O pessoal pegava ônibus em um ponto na rua Arapongas”, pontua nosso entrevistado.

As narrativas soam infindáveis. Se você aprecia boas histórias e não conhece, OBemdito sugere fortemente uma visita ao salão. Usufrua de serviços caprichados, à moda antiga, e acaricie os tímpanos com a irresistível verve de Ambrósio Bispo de Oliveira.

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