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Paraná

Presos do Paraná já produziram 2 milhões de unidades de EPIs

São máscaras, jalecos, uniformes, escafandros, toucas e outros itens. Além da demanda interna, produção vai para forças de segurança, hospitais e prefeituras

Foto: Agência Estadual de Notícias

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS O Bemdito 15 de julho de 2020 10h37

Presos do sistema penal do Paraná têm trabalhado para colaborar com a produção de equipamentos de proteção individual (EPIs) contra o Covid-19. A confecção de máscaras, jalecos, uniformes, escafandros, toucas e outros itens dentro das unidades prisionais, que já passou de 2 milhões, é uma forma de reduzir a demanda de compra do Departamento Penitenciário (Depen) e demais instituições ligadas à Secretaria da Segurança Pública, assim como a de setores da saúde e de prefeituras.

Por meio de parcerias e convênios, as instituições interessadas, incluindo forças de segurança, como Polícia Miliar e Polícia Civil, Guardas Municipais e hospitais, fornecem o tecido e o Depen a mão de obra dos presos.

Diversas prefeituras e conselhos da comunidade também disponibilizaram máquinas de costura, o que tornou possível dar oportunidade de trabalho a mais presos.

Produção

Beneficiados com a redução de um dia de pena a cada três dias trabalhados, os presos já costuraram dois milhões de máscaras e quase 34 mil jalecos, além de cerca de 7,8 mil itens para hospitais, como lençóis, pijamas, escudos faciais, toucas e sapatos descartáveis. A produção foi iniciada em 23 de março em algumas regiões e intensificada a partir do dia 06 de abril.

“Aos poucos, conforme conseguíamos, aumentávamos a confecção e rapidamente pudemos disponibilizar máscaras internamente e ainda enviar parte da produção prefeituras e diversas casas de saúde do estado, como os Hospitais Universitários de Cascavel e de Londrina, que são referências no atendimento de casos de Covid-19 nas regiões”, destaca o secretário da Segurança Pública, Romulo Marinho Soares.

Produção diária

Para evitar a proliferação do novo coronavírus no sistema prisional, servidores e detentos receberam uma média de três máscaras por pessoa. De início, o objetivo era produzir cerca de 10 mil unidades de produtos por dia em todo o estado, marca que foi atingida ainda no fim do mês de abril.

A confecção, tanto para a distribuição interna quanto para os convênios fechados, gira hoje em torno de 80 mil itens diários.  “É uma marca muito expressiva, considerando que não tínhamos know-how de fabricação de máscaras”, diz o diretor-geral do Departamento Penitenciário, Francisco Caricati. Ele lembra que a fabricação foi iniciada diante da necessidade da sociedade e também de dotar os órgão de segurança e de saúde de EPIs.

“Chegar aos dois milhões de itens produzidos nos deixa muito felizes e cientes de que a estrutura criada no Departamento permitiu que, nesse momento de pandemia, pudéssemos ter uma solução viável para atender as demandas”, afirma Caricati.

Economia

Além de reduzir a pena do preso, a confecção de itens dentro do sistema prisonal gera economia para o Estado. “Fiz o cálculo com cinco produtos: água sanitária, desinfetante, sabão para piso, sabão para roupas e álcool em gel. Somente em junho, a economia permitida pela produção dentro do sistema foi de R$ 90 mil. Com as 115 mil máscaras, a economia é de cerca de R$ 80,5 mil”, destaca o chefe do Setor de Produção e Desenvolvimento (Seprod) do Depen, Boanerges Silvestre Boeno Filho.

De acordo com ele, a confecção dos itens também é uma importante forma de manter os presos em atividades laborais, uma vez que grande parte dos canteiros de trabalho foram suspensos. “Foi a saída que encontramos diante do desafio que era encontrar meios de abrir vagas de trabalho dentro dos presídios. Além disso, precisaríamos adquirir os equipamentos de alguma forma, para que mantivessem a segurança do sistema prisional no que se refere aos cuidados para evitar a proliferação do coronavírus no sistema prisional”, enfatiza Boanerges.

Convênios

Já instaladas na Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão (PEFB) e na Colônia Penal e Industrial de Maringá (CPIM), duas empresas mudaram o foco de confecção de calças jeans para máscaras.

“Após os presos já terem adquirido experiência com a produção de máscaras para o próprio Depen, estas duas indústrias, que haviam suspendido parte de suas produções, aproveitaram o momento para ampliar o leque de produtos e passaram a vender máscaras também”, contou o chefe do Seprod.

 Diferente do que ocorre com a confecção geral, a produção destas empresas é totalmente repassada a elas. Em Francisco Beltrão, 40 presos implantados no canteiro da K&G Indústria e Comércio de Confecções têm confeccionado diariamente cerca de 40 mil máscaras. Já na CPIM, a produção diária da TA Indústria e Facção de Artigos para Vestuário, a qual também tem 40 presos colocados no canteiro de obras, gira em torno de 30 mil peças.

 “Nestes canteiros, os equipamentos e matérias-primas são das empresas. De responsabilidade delas também está o pagamento da mão de obra dos detentos, que recebem 75% de um salário mínimo”, explica Boanerges Boeno.

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