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Paraná

Antecipação do status de estado livre de aftosa preocupa cadeia produtiva do gado

O Estado obteve autorização do Ministério da Agricultura para antecipar a suspensão da vacinação contra a febre aftosa do rebanho bovino a partir deste mês de maio

Foto: Ricardo Trindade/OBemdito

JAQUELINE MOCELLIN O Bemdito 25 de abril de 2019 20h14

O Paraná obteve autorização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com o aval do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para antecipar a suspensão da vacinação contra a febre aftosa do rebanho bovino a partir deste mês de maio, quando ocorre a última imunização do gado no estado.

A aprovação do pedido ocorreu no final da tarde de quarta-feira (24/04) durante a realização da 2ª Reunião do Bloco V do Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA). Pelo cronograma, a autorização ocorreria no primeiro semestre de 2021.

A mudança de status para área livre de aftosa sem vacinação, aprovada na reunião dos estados integrantes do Grupo V, será oficializada em setembro, quando o Mapa irá publicar ato normativo de reconhecimento da condição do Paraná, informou Geraldo Marcos de Moraes, diretor do Departamento de Saúde Animal (DSA) do Mapa.

Reunião em Umuarama

Temerosos com a situação, empresários da cadeia produtiva do gado reuniram-se na tarde desta quinta-feira (25) em Umuarama. Participaram do encontro Jeremias Silva Júnior (diretor-proprietário do frigorífico Astra), Landir Marucci (proprietário do Curtume Panorama), Cirso da Silva (presidente do Sintracia – Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação de Cianorte e Região), Milton Gaiari (presidente do Sindicato Patronal de Umuarama e da Sociedade Rural de Umuarama), Celso Pozzobom (prefeito de Umuarama), Helena Bertocco (prefeita de Cruzeiro do Oeste), além de vereadores de Cruzeiro, entre outras pessoas.

Júnior, do FrigoAstra, explicou que o Paraná receber o status sanitário de área livre de febre aftosa sem vacinação é um ganho para os setores da carne (bovinos, suínos e aves). No entanto, o Paraná foi autorizado a antecipar a suspensão da vacinação. Desta forma, não poderia receber animais de outros estados que ainda não estão no mesmo status.

“O que a cadeia da bovinocultura e as indústrias frigoríficas não querem é receber o status isolado e sim em bloco. O Paraná não tem rebanho suficiente para atender a indústria, necessitando de animais de outros estados para suprir a demanda”, informa. O empresário acrescenta que atualmente o FrigoAstra traz cerca de 30% do gado para abate de outros estados. “Assim que o Paraná receber este aval, não poderemos trazer gado para engorda, abate, além de outras atividades, como para exposição e rodeio, nem ao menos para a parte de genética”, diz.

O Paraná integrava o Bloco V do PNEFA, com o Rio Grande do Sul, Santa Catarina (que já é área livre de febre aftosa sem vacinação), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. De acordo com o cronograma, o bloco só se tornaria livre da vacinação em 2023. Porém, o Paraná reúne condições de obter o reconhecimento antes e o governo solicitou a antecipação.

Celso Pozzobom concordou com Júnior, ressaltando que o Paraná ainda não possui autonomia para sair isoladamente. Disse que toda a região deve se mobilizar para apresentar esta realidade ao governador Ratinho Junior e buscar que ele se sensibilize com a demanda do setor, em especial da região Noroeste.

Desempregos

Helena Bertocco citou a preocupação com o impacto na geração de empregos em Cruzeiro do Oeste. “O Frigorífico Astra hoje é a empresa que mais gera empregos em Cruzeiro. Se isso acontecer pode gerar cerca de 300 demissões, o que causaria um impacto social muito grande na cidade”, afirmou.

Ressaltou ainda que o frigorífico possui um plano de expansão na cidade. “Então, a expectativa de toda a comunidade é que os empregos sejam ampliados e não que aconteçam demissões”, disse a prefeita.

Cirso da Silva também abordou a questão do desemprego que pode ser gerado. Como representante do Sintracia (que atende Cianorte e mais 21 municípios), disse que esta deve ser uma das maiores preocupações. “Não podemos permitir que uma decisão política traga 300 demissões em Cruzeiro do Oeste. Este não é um problema apenas do Astra, mas de todos os frigoríficos do Paraná”, alerta.

Outros setores

Landir Manducci, do Curtume Panorama, destacou que a cadeia do setor é ampla, com atividades como o abate, que gera vários subprodutos, como o beneficiamento de couro, da gordura animal, farinha, gelatina, entre outros, que agregam valores e emprego.

“A indústria bovina não é contrária ao estado receber o status, porém, acreditamos que seria mais interessante seguir o cronograma. Além disso, atualmente o Paraná é quarto maior exportador de couro. Temos receio de desabastecimento pela falta de matéria-prima local. E caso seja necessário trazer o couro de outros estados, com certeza acontecerá o encarecimento do produto”, explica o empresário.

Milton Gaiari citou a questão da melhoria genética do rebanho paranaense. “O Paraná não é o berço da genética. Estamos constantemente buscando esta inovação de outros estados. Por isso também não podemos ficar isolados”.

A reunião terminou com o compromisso de todos em manterem contato com lideranças políticas do estado, para pressionar o governo a pensar na bovinocultura. “Precisamos nos unir e pedir para o governador não permitir tal fato”, disse Júnior.

Reconhecimento

O reconhecimento como Zona Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação colocará o Paraná em outro patamar global como fornecedor de proteínas animais. A partir da conquista deste novo status sanitário, o Estado poderá buscar novos mercados que pagam mais pela qualidade da carne. Apesar da espécie vacinada contra a febre aftosa ser a bovina, os impactos se refletirão em todas as cadeias de proteínas animal e vegetal, principalmente na avicultura e suinocultura, atividades nas quais o Paraná é tido como referência nacional e mundial na produção, tanto na qualidade como na quantidade.

(Informações: Redação OBemdito; Faep e Paraná Cooperativo)

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